Após meses de atrasos, os militares dos Estados Unidos se prepararam para apresentar as acusações na sexta-feira contra o soldado Bradley Manning, de 23 anos, suspeito de colocar em perigo a segurança dos EUA ao provocar o maior vazamento de documentos oficiais do governo norte-americano. Os advogados de Manning afirmam que os documentos que seu cliente entregou ao website WikiLeaks provocaram poucos danos. O caso levou a um movimento internacional de apoio a Manning. Para os acusadores, Manning é um traidor, que subverteu seu juramento de lealdade aos EUA ao deliberadamente tornar públicos os centenas de milhares de documentos secretos.

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Manning deverá comparecer à audiência de pré julgamento no forte Meade, Estado de Maryland, na sexta-feira. A base militar é a sede do Comando Cibernético das Forças Armadas dos EUA. A audiência deverá durar o final de semana inteiro e poderá se estender pela próxima semana. O pré julgamento decidirá se Manning irá à Corte Marcial ou não. Se for, enfrentará um julgamento no qual poderá ser sentenciado à prisão perpétua. O governo dos EUA disse que no caso do soldado ir a julgamento, não pedirá a pena de morte.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que as supostas ações de Manning foram prejudiciais e desafortunadas. “Eu acho que numa época onde tanta informação viaja pelo espaço cibernético, todos nós precisamos ter consciência de que algumas informações são sensíveis. Elas afetam a segurança das relações e dos indivíduos e por isso merecem ser protegidas. Nós continuaremos a tomar os passos necessários para isso”, disse Hillary.

A grande ausência na base militar de Meade será o australiano Julian Assange, fundador do website WikiLeaks e que publicou as milhares de informações do governo dos EUA supostamente entregues a ele por Manning. Assange luta no momento, na Grã-Bretanha, contra um pedido de extradição feito pela Suécia, onde ele é acusado de violência sexual contra duas mulheres. O governo dos EUA estuda no momento se indiciará Assange por espionagem.

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A primeira grande publicação de documentos oficiais dos EUA pelo WikiLeaks aconteceu em julho de 2010. Foram publicados 77 mil arquivos militares sobre a Guerra do Afeganistão, que fizeram manchetes mundiais. Mas o material forneceu apenas revelações localizadas, como mortes de civis afegãos não reportadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e operações secretas contra o Taleban.

Um mês mais tarde, o WikiLeaks publicou centenas de milhares de telegramas diplomáticos do Departamento de Estado do governo, revelando um mundo escondido por trás dos palcos da diplomacia americana.

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No mês passado, 54 deputados do Parlamento Europeu assinaram um documento, enviado ao governo americano, manifestando preocupações com o longo período de detenção de Manning sem julgamento. Manning está preso em isolamento há 18 meses.

As informações são da Associated Press.