O norte-americano David Headley, condenado pela participação nos ataques em Mumbai (Índia), em 2008, disse que a principal agência de espionagem do Paquistão esteve profundamente envolvida no planejamento da ação, monitorando os preparativos e fornecendo recursos e informações aos agressores. A informação consta de um resumo do interrogatório do norte-americano divulgado pelo governo indiano hoje.

O relatório apresenta os mais fortes indícios do envolvimento de autoridades paquistanesas no ataque, que matou 166 pessoas, paralisou a capital comercial da Índia e congelou os esforços de paz entre Paquistão e Índia. Durante um interrogatório, Headley detalhou como a principal agência de inteligência paquistanesa, a Inter-Services (ISI), agiu com o grupo Lashkar-e-Taiba, acusado de realizar os ataques.

Headley, que recebeu o nome de Daood Gilani ao nascer, tem 50 anos, nasceu em Chicago e é filho de pai paquistanês e mãe norte-americana. Em março, ele admitiu a um tribunal federal dos Estados Unidos que havia mentido a respeito da preparação dos ataques em Mumbai, bem como sobre a preparação de um ataque na Dinamarca.

Segundo o relatório, Headley disse que a agência de espionagem paquistanesa forneceu assessores individuais – muitos deles oficiais graduados – para todos os principais integrantes do Lashkar e deu a eles instruções e dinheiro para realizarem o reconhecimento dos alvos.

O comandante militar do grupo, Zaki-ur-Rahman Lakhvi, era próximo ao diretor-geral da agência de espionagem, o general Ahmed Shuja Pasha, informa o relatório. Segundo Headley, cada grande ação do Lashkar-e-Taiba é feita em estreita coordenação com a ISI. Um alto funcionário da inteligência paquistanesa disse que as acusações contidas no relatório indiano não tinham base. A fonte pediu anonimato, pois não tinha autorização para falar com a imprensa.