O Supremo Tribunal da Espanha informou hoje que o juiz Baltasar Garzón será julgado por supostamente abusar de suas atribuições legais ao abrir uma investigação sobre os crimes do franquismo.

O magistrado do Supremo Luciano Varela, responsável pela complexa causa de Garzón, deu mais um passo para processar o juiz por prevaricação, delito de conscientemente emitir uma resolução contrária às determinações de seu cargo público. Garzón ficou famoso internacionalmente ao processar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet e também o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden.

Em um documento de 14 páginas, Varela concedeu prazo de dez dias para a promotoria e a acusação, encabeçada pelo sindicato conservador Manos Limpias, apresentarem um texto pedindo a abertura do processo. Ainda que Garzón tenha um último recurso para evitar o julgamento, Varela tem rechaçado todos eles até o momento.

O advogado de defesa do juiz, Gonzalo Martínez-Fresnada, disse que em alguns dias Garzón, de 54 anos, deve ficar suspenso de seu trabalho, após mais de 20 anos de atuação. Garzón poderia ser punido com entre 10 e 20 anos de suspensão de seu cargo, período capaz de encerrar prematuramente sua carreira. O magistrado Varela considera que o juiz não tinha competência legal para iniciar, em 2008, uma investigação sobre os crimes da ditadura de Francisco Franco (1939-1975).