O dissidente cubano Guillermo Fariñas acusou hoje o governo espanhol de ser cúmplice da morte de Orlando Zapata. Ele comemorou a dura resolução contra Cuba aprovada pelo Parlamento Europeu após a morte de Zapata, mas criticou a atitude compreensiva que, em seu entender, tem mantido o presidente José Luis Rodríguez Zapatero com as “torturas, encarceramento e espancamentos” do governo de Raúl e Fidel Castro. Fariñas também admitiu que seu organismo não resistirá muito tempo se mantiver a greve de fome.

“O principal é estar com as pessoas, com os seres humanos, com a vida, não importam as tendências políticas, o importante é a dignidade humana”, disse Fariñas, de Cuba, à emissora espanhola Cadena Cope. Psicólogo de 48 anos que há 20 dias está em greve de fome, Fariñas disse que seu corpo tem sequelas de outros jejuns anteriores e lembrou que os médicos disseram que sua vida corre perigo no curto prazo.

“De um momento para outro, uma série de bactérias tóxicas que temos nos intestinos podem começar a invadir o corpo e podem surgir complicações muito mais difíceis, que dariam cabo da minha vida”, afirmou Fariñas, que por duas vezes já precisou ser hospitalizado em unidade de terapia intensiva. Apesar disso, o dissidente cubano se mostrou disposto a continuar com a greve de fome iniciada como protesto pela morte de Zapata e para exigir a libertação de vários presos políticos na ilha.

“Eu vou morrer com minhas ideias. É uma oportunidade histórica que não vou deixar passar”, afirmou. “Ao morrer, estou demonstrando ao governo (cubano) que tem de lidar conosco, já que estamos dispostos a ir até as últimas consequências”. Recentemente, Fariñas recusou uma oferta de asilo político feita pelo governo de Zapatero.