Funcionários espanhóis afirmaram ontem que o acidente ferroviário que matou pelo menos 13 pessoas, várias delas latino-americanas, foi culpa “da imprudência” das vítimas, que cruzaram a ferrovia diante de um trem expresso. “Tudo parece indicar que esse lamentável acidente se produziu por causa da imprudência cometida por parte daqueles passageiros que tentaram atravessar a via saltando diretamente da estação, algo que é totalmente proibido”, disse o ministro de Fomento, José Blanco.

O cônsul-geral do Equador, Freddy Arellano Ruiz, afirmou que os passageiros não viram as placas de saída e se dirigiram por engano a uma passagem elevada, que estava fechada desde que, em 2009, a estação foi remodelada. Blanco rechaçou as acusações de sinalização ruim na estação e insistiu que os passageiros deveriam ter sabido que “nunca, nunca, nunca se cruzam as vias”. O secretário nacional de Infraestrutura, Víctor Morlán, admitiu que a passagem estava fechada desde o ano passado, mas insistiu que havia sinalização suficiente sobre como se chegar à praia.

Pelo menos 14 pessoas se feriram no acidente, ocorrido pouco antes da meia-noite da quarta-feira. Vários grupos de jovens desceram de um trem na estação e lotaram a passagem subterrânea que levava para a praia, o que teria levado cerca de 30 deles a cruzar a ferrovia correndo. Eles não viram, porém, um trem expresso que não pararia na estação se aproximando.

Entre as vítimas, havia cinco equatorianos, dois bolivianos e dois colombianos. Foi o acidente mais grave no país desde 2003. Em sua maioria, eram jovens que iam à praia de Castelldefels, no sul de Barcelona, para celebrar a Noite de San Juan. Um dos feridos estava em estado muito grave e outros dois, em estado grave, segundo as autoridades. Exceto por uma mulher de cerca de 40 anos, todos os feridos tinham menos de 20 anos.

O trem expresso chegou a tocar sua buzina, enquanto se aproximava da estação. Ainda que se saiba que a maioria das vítimas era formada por latino-americanos, as autoridades não divulgaram suas identidades nem deram detalhes sobre as nacionalidades. A identificação dos corpos mutilados “não será fácil e não será rápida”, previu o ministro do Interior da Catalunha, Joan Saura.