Um total e 36,5 milhões de eleitores estão aptos a votar e definirão hoje o nome do futuro primeiro-ministro da Espanha. A votação deste domingo é considerada histórica por analistas políticos por ser a primeira vez desde 1982 em que os dois partidos que se alternam no poder, o Partido Popular (PP, direita) e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, centro esquerda) dividem o protagonismo com outras duas novas agremiações, Podemos e Ciudadanos.

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As sessões eleitorais foram abertas no início da manhã e, embora a Junta Eleitoral ainda não tenha informado o nível de participação, estima-se que a participação de eleitores esteja em alta em relação às últimas eleições gerais, realizadas em 2011. Um indício do interesse foi o fato de mais de 100 mil espanhóis terem pedido para votar pelo correio, uma alta de 14% em relação há quatro anos.

A taxa de participação é considerada um dos fatores que podem decidir a eleição, já que 41% dos eleitores ainda se diziam indecisos há uma semana, quando da publicação das últimas pesquisas de opinião. De acordo com as sondagens, o atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, do PP, teria 25% das intenções de voto, frente ao secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, que teria 21%. Os dois seriam seguidos de perto pelo cientista político Pablo Iglesias, líder do partido de esquerda radical Podemos, com 19%, e pelo economista Albert Rivera, presidente do Ciudadanos, partido liberal de centro-direita, que teria 18%.

Com o fim do bipartidarismo que marcou o país durante 33 anos, a tendência é de que Rajoy não obtenha a maioria absoluta de 176 assentos no Parlamento, o que deve obrigá-lo a buscar um governo de coalizão – até aqui descartado pelos rivais – ou formar um gabinete de minoria, o que em curto ou médio prazo deverá resultar na convocação de eleições antecipadas. Outra opção seria Sánchez ou Iglesias reivindicarem o direito de formar um governo de coalizão de esquerda, uma hipótese que não pode ser de todo descartada, segundo analistas políticos.

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Neste domingo, Rajoy votou no Colégio Bernadette, um dos mais tradicionais de Madri. Na saída, falou à imprensa espanhola e internacional e comemorou a alta participação do eleitorado. “Muita gente está votando, e isso é reconfortante”, disse.

Já Sánchez votou no Colégio de Pozuelo, também em Madri, e destacou a oportunidade de mudança de governo. “Estamos em um dia histórico”, disse o socialista. “Nós, espanhóis, sabemos que o futuro não está escrito e vamos escrevê-lo hoje com nossos votos. Os espanhóis decidirão não só o futuro dos próximos anos, mas o das próximas gerações.”

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Já Iglesias, que no sábado assistiu Star Wars – Episódio 7, agradeceu aos seus apoiadores, e disse ver uma “mudança de força” nas últimas horas, na esperança de uma surpresa possa acontecer no quatro eleitoral. “Muito obrigado aos interventores, aos apoderados e apoderadas que se levantaram com um sorriso e com vontade de fazer história”, disse o radical de esquerda pelo Twitter.

Segundo o Ministério do Interior, que organiza a votação, a manhã se transcorreu sem incidentes nas 57,5 mil mesas eleitorais espalhadas pelo país. Em Madri, onde o Estado acompanha o dia de votação, o movimento começou lento no início da manhã, mas se intensificou por volta do meio dia, quando filas se formavam em sessões eleitorais do centro da capital.