O escritor mexicano Carlos Montemayor, especialista sobre guerrilha, pediu nesta terça-feira (29) que o governo do México responda à oferta de diálogo lançada pelo grupo guerrilheiro Exército Popular Revolucionário (EPR) na semana passada.

O grupo guerrilheiro dispôs-se a negociar para que o governo informe o paradeiro de dois de seus membros, Edmundo Reyes e Gabriel Cruz, que teriam sido supostamente detidos no estado de Oaxaca, ao sul do México, em 25 de março do ano passado.

Montemayor foi convocado pelo EPR para mediar as relações com o governo mexicano, junto ao bispo emérito de San Cristóbal de las Casas, Samuel Ruiz, e ao jornalista Miguel Angel Granados, entre outras pessoas, e disse que seu trabalho "dependerá da resposta do governo federal".

O autor de "Guerra en el Paraíso" (1991), que aborda a história dos movimentos armados no México, afirmou que existem "grupos radicais" que se opõem a um acordo dom o EPR, tanto no governo e no exército, como na sociedade civil, mas há também outros grupos abertos ao diálogo.

O escritor criticou a posição daqueles que se recusam a "dialogar com quem carrega uma arma", defendendo que os mexicanos estão "perdendo a capacidade de entender os processos nacionais".

A crítica foi uma referência ao presidente do governante Partido Ação Nacional (PAN, de direita), Germán Martinez, que repudiou a proposta de diálogo do EPR na segunda-feira, dizendo que "não é possível dialogar com quem tem uma pistola na mesa".