Até o mês passado o colombiano Álvaro Uribe era o presidente latino-americano com mais chances de romper a polêmica barreira do terceiro mandato. Com um índice de popularidade de 84%, sua estratégia, segundo analistas, parecia ser manter um silêncio oportuno sobre o tema, enquanto seus aliados coletavam o 1,2 milhão de assinaturas necessárias para pedir ao Congresso a emenda permitindo a segunda reeleição.

O projeto, porém, começou a se complicar no dia 12, quando o senador Carlos García, presidente do partido de Uribe, renunciou após ser vinculado a grupos paramilitares. Pouco depois, foi a vez da senadora Nancy Gutiérrez, presidente do Congresso e grande aliada de Uribe, ser denunciada pelo mesmo crime. E quando parecia que nada poderia ficar pior, o primo do presidente, o ex-senador Mario Uribe, foi preso, na quarta-feira (23) após uma tentativa de pedir asilo à Costa Rica.

Legislativo abalado

"A probabilidade de um terceiro mandato diminui conforme a bancada governista no Congresso perde força e legitimidade", disse o cientista político Gabriel Murillo, da Universidade dos Andes. "Uribe não só corre o risco de perder sua folgada maioria na Casa como está se dando conta de que, com o Legislativo tão desacreditado, uma reforma desse porte pode ser mal recebida – principalmente pela comunidade internacional".

Os três casos que fecharam o cerco sobre o líder colombiano são desdobramentos do escândalo que ficou conhecido como "parapolítica". Os vínculos de políticos com paramilitares – grupos armados de ultradireita envolvidos em massacres, seqüestros, extorsões e tráfico de drogas – começaram a ser revelados em 2006 e hoje, dos 267 parlamentares do país, 29 estão presos (5 dos quais, já condenados) e outros 36 são investigados por ligações com essas milícias. A diferença é que desta vez as denúncias estão chegando perto demais do presidente.