Uma equipe interna do Census Bureau descobriu que informações pessoais básicas coletadas de mais de 100 milhões de americanos durante a contagem de 2010 poderiam ser reconstruídas a partir de dados criptografados, ainda que com muitos erros, revelou um alto funcionário da agência neste sábado.

Idade, sexo, localização, raça e etnia de 138 milhões de pessoas estariam potencialmente vulneráveis. Até agora, no entanto, apenas equipes internas de hackers descobriram tais detalhes com risco possível e não se tem conhecimento de qualquer grupo externo que tenha coletado dados que deveriam permanecer privados por 70 anos, disse o cientista-chefe John Abowd em uma conferência científica.

O Census Bureau agora está descartando sua antiga técnica de blindagem de dados para um método de última geração que Abowd alegou ser muito melhor que o do Google ou o da Apple.

Alguns ex-chefes da agência temem que o potencial problema de privacidade aumente as preocupações de que as pessoas evitem responder ou mintam na pesquisa, realizada de 10 em 10 anos, por causa da tentativa do governo Trump de adicionar uma polêmica questão sobre cidadania.

A Suprema Corte anunciou na sexta-feira que decidirá sobre essa questão proposta, que tem sido criticada por ser política e não ter sido devidamente testada em campo. A contagem do censo é extremamente importante, pois ajuda na alocação de assentos na Câmara dos Deputados e na distribuição de bilhões de dólares em dinheiro federal.

Os 8 bilhões de dados estatísticos coletados no censo devem ser confundidos de forma que o que é divulgado publicamente para a pesquisa não possa identificar indivíduos. Em 2010, o Census Bureau fez isso trocando informações familiares semelhantes de uma cidade para outra, de acordo com Jerome Reiter, professor de estatística da Duke University.

Nos testes internos, explicou Abowd, foi possível combinar 45% das pessoas que responderam ao censo de 2010 com informações de conjuntos de dados públicos e comerciais, como o Facebook. Mas erros nessa técnica resultaram que apenas dados de 52 milhões de pessoas estariam completamente corretos – pouco mais que 1 a cada 6 da população norte-americana.

Ele disse que o censo de 2010 usou a melhor proteção de privacidade possível disponível à época, mas desde então os hackers se tornaram mais hábeis na reconstrução de dados. Para combater suas crescentes habilidades, a agência mudou completamente o sistema para 2020 e oferecerá um “padrão ouro” de privacidade, independentemente do destino da questão da cidadania, disse.

Fonte: Associated Press