A polarização do debate sobre o Orçamento nos Estados Unidos, aprovado na semana passada, e o início da mobilização para a eleição de 2012 devem dificultar a pretensão do presidente Barack Obama de obter um acordo bipartidário sobre o corte de US$ 4 trilhões no déficit fiscal em 12 anos e a ampliação do teto da dívida pública.

De acordo com analistas ouvidos pela reportagem, democratas e republicanos estão travando um debate irrealista sobre a crise nas contas públicas americanas. Para o diretor do Center for North American Studies (SIS) da American University, Robert Pastor, dificilmente haverá um acordo para reduzir o déficit até a sucessão de Obama. “Não vejo possibilidade de acordo sobre as propostas sobre as contas públicas antes das eleições presidenciais”, diz. “Os dois lados estão em um jogo fantasioso, em um debate irrealista sobre a crise fiscal.

Na semana passada, com seis meses de atraso, o Congresso aprovou o orçamento de 2011. A negociação do tema entre a Casa Branca e a Câmara dos Representantes, controlada pela oposição, trouxe a público um ambiente de confrontação pré-eleitoral. Houve um acordo sobre o corte adicional de despesas de US$ 38 bilhões, mas as posições de democratas e republicanos sobre temas caros às suas agendas políticas mostram o quanto suas ambições eleitorais motivam, desde já, esse comportamento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.