Hong Kong registrou mais um domingo de protestos, com manifestantes mascarados em passeata pelas ruas, desafiando a proibição para o uso de coberturas faciais. “Usar uma máscara não é crime”, gritavam. A polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo para conter as manifestações e efetuou prisões. Comícios pacíficos degeneraram novamente em violência.

Em vez de dissuadir a realização de protestos e acalmar os manifestantes, a proibição governamental que criminalizou o uso de máscaras nos comícios apenas reforçou a determinação de manifestantes. Bombas de gasolina foram lançadas e estações de metrô e instalações de bancos ligados à China foram destruídas.

Pela primeira vez em quatro meses de crise, homens no telhado de um dos quartéis militares chineses em Hong Kong levantaram uma faixa amarela alertando os manifestantes de que estavam violando a lei quando luzes de laser foram apontadas para o prédio, de acordo com vídeo divulgado pela mídia de Hong Kong.

A polícia disse que os manifestantes mascarados também atacaram observadores, incluindo dois homens que ficaram inconscientes após espancamentos e uma mulher que tirou fotos de tumultos.

Uma marcha pacífica em direção ao distrito comercial ocorreu quando o Supremo Tribunal de Hong Kong rejeitou uma segunda tentativa de invalidar o proibição de máscaras. O parlamentar Dennis Kwok disse que o tribunal se recusou a conceder uma liminar, mas concordou em ouvir no final deste mês um pedido de 24 legisladores contra o uso de poderes emergenciais pela líder de Hong Kong, Carrie Lam, para impor a proibição sem aprovação legislativa. O governo de Lam diz que a proibição da máscara facilitará a identificação de manifestantes e que outras medidas serão possíveis se a violência continuar.

Os críticos temem que o uso da Regulamentação de Emergência, que dá a Lam amplos poderes para implementar quaisquer medidas que considere necessárias, possa abrir caminho para movimentos mais drásticos. A lei foi promulgada pelos governantes coloniais britânicos em 1922 para conter a greve de marinheiros e foi usada pela última vez em 1967 para encerrar tumultos. “Esta lei de emergência é tão antiga e draconiana. Carrie Lam está usando-a como algum tipo de arma de destruição em massa para destruir Hong Kong”, disse a legisladora Claudia Mo.

Lam diz que buscará o apoio legislativo para a proibição de máscaras em reunião no próximo dia 16 de outubro. A proibição torna o uso de máscaras e até pinturas faciais puníveis com pena de até um ano de prisão.

Um policial que falou sob condição de anonimato, porque não estava autorizado a conversar com a imprensa, disse que algumas prisões foram feitas no domingo por violar a proibição, mas não informou números. Fonte: Associated Press