O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou a Cuba ontem à noite para fazer um tratamento de quimioterapia e manteve silêncio a respeito do assunto. Sua única manifestação, como se tornou comum, ocorreu por meio de sua conta na rede de microblogs Twitter, onde comemorou o início dos Jogos Alba, uma competição de atletismo envolvendo os países da Aliança Bolivariana. “De minha trincheira, lutando pela vida, felicito a pátria inteira pela inauguração maravilhosa dos Jogos Alba! Vamos viver!”, diz a mensagem.

Em Cuba, Chávez iniciará a segunda fase de um tratamento contra o câncer na região pélvica. Ontem, antes de partir, o líder venezuelano informou que começaria a ser submetido a uma quimioterapia já neste domingo e que o tratamento seria “duro”. Chávez foi convidado pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff, a tratar-se no País, mas recusou. A decisão de ir para Cuba foi vista por analistas como uma tentativa de manter sob sigilo as informações sobre sua saúde.

O presidente venezuelano delegou parte de seus poderes ao vice-presidente Elias Jaua e ao ministro do Planejamento Jorge Gioridani. Foi a primeira vez desde que chegou à presidência venezuelana, em 1999, que Chávez abriu mão de algumas de suas atribuições. Jaua e Giordani poderão executar dez funções administrativas que antes cabiam ao presidente. O vice-presidente poderá expropriar empresas, nomear membros do segundo escalão ministerial e de agências do governo, e alterar o orçamento de pastas do gabinete. Já o ministro cuidará de questões orçamentárias e fiscais.

Força – Maria Teresa Romero, professora de estudos internacionais na Universidade Central da Venezuela, disse que controlar as informações sobre sua doença é importante para Chávez para manter uma imagem de força junto aos venezuelanos. “Os segredos estarão garantidos em Cuba, o que não seria verdade caso ele fosse tratado no Brasil, ou mesmo na Venezuela”, afirmou. Ela lembrou que, quando o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, se tratou de câncer no Brasil, o hospital divulgou de forma regular relatórios médicos sobre sua condição. Detalhes também foram liberados sobre o tipo e localização dos tumores de Lugo e sobre seu processo de quimioterapia

Paul Webster Hare, ex-embaixador britânico para Cuba entre 2001 a 2004, disse ser provável que Chávez receba o mesmo tipo de proteções e acomodações que se esperaria para o líder cubano Fidel Castro. “Tudo será feito como se um membro da família Castro estivesse sendo tratado: sigilo absoluto, comunicação criptografada”, disse.