Com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007) assumiu o cargo de primeiro secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), jurando lealdade no cumprimento de suas tarefas. “O companheiro Kirchner conhece o continente, as diferenças ideológicas e está cem por cento apto para ser um extraordinário secretário-geral”, disse Lula, em seu voto de apoio ao ex-presidente. Para o líder brasileiro, “a indicação de Kirchner é a consolidação de mais uma etapa no fortalecimento da Unasul”.

Kirchner recebeu o aval de Lula e dos demais colegas sul-americanos em meio a denúncias de corrupção e de investigações na Justiça em razão de uma suposta rede de negócios ilícitos entre ele e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O ex-presidente argentino é acusado pela oposição de ser o chefe dessa rede revelada por um ex-embaixador da Argentina durante o governo dele.

As suspeitas contra Néstor Kirchner não comprometeram sua eleição à frente do principal bloco político da região e Chávez nem se pronunciou sobre o caso. “Estou muito feliz por essa decisão de nomeação desse grande amigo, profundo companheiro e solidário. Até que enfim ele foi eleito”, comemorou Chávez. “Apoiamos fervorosamente Néstor como secretário-geral.”

Depois da pressão exercida por seu governo, desde 2008, para aprovar o nome do marido, a anfitriã Cristina Kirchner se fez de rogada durante a votação: “Vou me abster. Vou evitar fazer comentários”, disse.