Milhares de egípcios se manifestaram hoje para exigir mudanças políticas no país. Muitos demonstram cada vez mais sua insatisfação com o comando militar, pelo ritmo lento nas reformas. Mais de 28 movimentos convocaram a manifestação para pressionar o Conselho Supremo das Forças Armadas – que tomou o poder após a deposição do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro – a responder a suas demandas. No Cairo, milhares foram até a Praça Tahrir, epicentro do movimento de protestos que derrubou Mubarak e onde centenas de pessoas protestam há uma semana.

Em Alexandria, cerca de 5 mil pessoas foram à Praça Qaed Ibrahim para protestar nas proximidades de um batalhão da polícia pela demissão do ministro do Interior, Mansur Essawy. Em Suez, centenas de pessoas protestaram na Praça Al-Arbaeen, enquanto tropas protegiam a entrada do estratégico Canal de Suez.

O comparecimento foi muito menor que na semana passada, quando dezenas de milhares foram às ruas. Alguns grupos, como a poderosa Irmandade Muçulmana, não participaram desta vez, após concessões oferecidas pelo Exército e pelo governo mais cedo nesta semana. “O gabinete tem o direito de receber uma chance por duas semanas”, afirmou um graduado líder da Irmandade, Essam al-Erian. Segundo ele, depois disso “ou haverá gratidão ou protestos”.

Os manifestantes pedem um plano claro de transição, criticando a junta militar. Algumas pessoas fazem greve de fome. O grupo exige o fim dos julgamentos militares de civis, a redistribuição das riquezas e julgamentos rápidos para ex-membros do regime de Mubarak. Também acusam a polícia de torturar a matar manifestantes durante os levantes contra o ex-líder e exigem o julgamento desses policiais.

O primeiro-ministro Essam Sharaf destituiu oficiais de polícia acusados de abusos e Essawy anunciou uma completa reestruturação de seu departamento. Na quarta-feira, o comando militar insistiu que apoiava a revolução e continuará a apoiar suas metas. Porém as declarações não foram bem recebidas pelos manifestantes, que qualificaram estas como retórica vazia. “Nós queremos ser levados em conta, portanto permaneceremos na praça”, afirmou Ibrahim Abul Kheir, de 25 anos, um membro do movimento de protestos 6 de Abril. As informações são da Dow Jones.