O sistema russo de defesa antiaérea S-400, o Triunfo, é uma baita máquina de guerra. Uma bateria completa é formada por nove carretas lançadoras, mais duas remuniciadoras, um posto de comando e 120 mísseis – as ogivas podem levar de 40 kg a 180 kg de explosivos. Todo o conjunto é digital e identifica cerca de 100 alvos a até 600 km de distância.

O custo de cada conjunto é estimado em US$ 300 milhões. Segundo o fabricante, o Fakel Bureau, na lista de objetivos entram os supercaças americanos F-35 e F-22, os europeus Typhoon e Rafale, mísseis de cruzeiro da classe Tomahawk, aeronaves de inteligência, aviões de combate de alto desempenho como F-15 Eagle, F-16 e F-18 além de, claro, foguetes balísticos atingidos a 185 km de altitude.

O Triunfo usa quatro diferentes tipos de interceptadores – o tempo, desde o momento em que uma ameaça é identificada e o disparo do míssil selecionado, não passa de 10 segundos. As preocupações da Otan e do Pentágono com o sistema têm a ver com dois vieses: a arma mostrou eficiência e teria sido empregada no conflito civil da Síria.

As vendas internacionais feitas pela agência estatal Rostec estão na pauta de países do Oriente Médio e da Ásia. Há uma enorme tensão em torno da transação em andamento na Turquia, do presidente Recep Tayyip Erdogan. Ao escolher o produto russo, apresentado como sendo “um sistema antimíssil” pelo qual vai pagar US$ 2,5 bilhões, Erdogan comprometeu o fornecimento para a aviação de ataque turca de 100 caças americanos F-35.

Em julho, o Departamento de Estado anunciou que a Turquia estava fora do programa da aeronave. A Índia também sofreu forte pressão para desistir da aquisição, formalizada três anos atrás. O valor da compra deve bater em US$ 5,4 bilhões. Uma parcela antecipada de US$ 800 milhões foi paga em novembro. Os primeiros conjuntos serão entregues em Nova Délhi em outubro de 2020.