Em meio a uma escalada de tensões com o governo, os habitantes de Beni e Pando, dois departamentos bolivianos, votaram neste domingo (1º) em referendos sobre estatutos autonômicos que lhes dão mais independência administrativa de La Paz. A expectativa era que o "sim" à autonomia fosse aprovado com facilidade nas duas regiões. Foram registrados distúrbios em áreas onde é grande o apoio ao Movimento ao Socialismo (MAS), partido do presidente Evo Morales, embora as autoridades regionais tenham tentado sublinhar que a votação ocorreu em relativa calma na maior parte dos colégios eleitorais.

Na localidade de Filadélfia, em Pando, urnas foram queimadas e estradas bloqueadas por grupos aliados de Evo. Segundo o presidente da Corte Eleitoral da região, Jorge Valdés, os incidentes impediram a instalação de 4% das mesas eleitorais. Em Beni, dezenas de camponeses atacaram o prefeito do município de Yucumo, que teve de ser levado a um hospital com lesões na cabeça. Num bairro de Trinidad, a capital do departamento, houve enfrentamentos entre trabalhadores rurais pró-Evo e jovens da União Juvenil Crucenha, que acompanhavam o governador da região de Santa Cruz, Rubén Costas, e de Tarija, Mario Cossío. A briga só acabou com a intervenção da polícia.

A votação em Beni e Pando ocorreu menos de um mês depois de Santa Cruz, a mais rica região da Bolívia, ter aprovado seu estatuto autonômico com 85% dos votos. A oposição dos três departamentos, juntamente com Tarija – que fará um referendo sobre o seu estatuto autonômico no dia 22 – é hoje um dos maiores desafios ao governo central. Evo considera as consultas ilegais e acusa as autoridades das quatro regiões de quererem dividir o país.