As discussões da Organização das Nações Unidas sobre o clima chegaram a um impasse neste sábado, após países em desenvolvimento terem rejeitado um acordo preliminar que, segundo eles, permitira que países ricos se esquivassem de suas responsabilidades no combate ao aquecimento global.

O objetivo da Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP-20), em Lima, era relativamente modesto: chegar a um acordo sobre quais informações seriam incluídas nos compromissos dos países no novo pacto contra o aquecimento global, que deve ser adotado no ano que vem em Paris.

No entanto, países em desenvolvimento alegam que o acordo preliminar não faz distinção entre o que se pode esperar de países ricos e de países pobres. “Temos um impasse”, disse o negociador chinês, Liu Zhenmin, que decidiu apoiar a Malásia e outros países em desenvolvimento.

O negociador dos Estados Unidos, Todd Stern, disse estar aberto a mudanças na linguagem adotada no texto, mas alertou contra discussões muito prolongadas, já que o encontro deveria ter terminado na sexta-feira.

Países ricos querem que os compromissos se concentrem na redução das emissões, enquanto nações em desenvolvimento querem também compromissos financeiros.

Pequenos países insulares que correm o risco de desaparecer com o aumento do nível do mar observaram que o acordo preliminar não inclui o mecanismo de “perdas e danos” que tinha sido acordado durante as discussões do ano passado na Polônia. “Precisamos de um arranjo permanente para ajudar os mais pobres”, disse Ian Fry, negociador de Tuvalu, pequena nação insular do Pacífico.

Enquanto isso, China e outros grandes países em desenvolvimento rejeitaram planos de um processo de avaliação que permitiria que os compromissos fossem comparados entre si antes da reunião de cúpula de Paris.

Embora táticas de negociação tenham um papel nas discussões, quase todas as disputas do encontro refletem a grande questão de como dividir o ônus do combate ao aquecimento global.

Historicamente, países ocidentais são os maiores emissores de dióxido de carbono. Atualmente, a maior parte das emissões vem de países em desenvolvimento, que estão expandindo sua economia e tirando milhões de pessoas da pobreza.

Durante uma rápida passagem por Lima na quinta-feira, o secretário de Estado

Norte-americano, John Kerry, disse que a resolução do problema de aquecimento global é “responsabilidade de todos, porque é o saldo de carbono que importa, não a fatia de cada país”. Fonte: Associated Press.