O partido da direita francesa, a União por uma Maioria Popular (UMP), prepara uma proposta de lei para restringir o acesso à saúde gratuita aos estrangeiros em situação irregular, que passariam a receber somente atendimentos preventivos e de urgência.

O jornal “Le Figaro” revela nesta quinta-feira que o presidente da Assembleia Nacional da UMP, Christian Jacob, e o deputado Claude Goasguen já terminaram de redigir essa proposta, que deverá ser apresentada após o período de férias de verão dos políticos.

As crianças e as mulheres grávidas não seriam afetadas por esse corte nos serviços da chamada Ajuda Médica Estatal (AME), criada em 2000 e que representa um custo de 600 milhões de euros para os cofres públicos.

Jacob e Goasguen, que acreditam que a medida será respalda pelos parlamentares do agora partido opositor (a legenda do ex-presidente Nicolas Sarkozy), querem restringir o acesso à saúde dos imigrantes ilegais com o argumento de que é preciso “evitar abusos”.

Neste sentido, o deputado da UMP Dominique Tian denunciou que a gratuidade de certas especialidades, como cirurgia estética e a reprodução assistida, deu lugar “a criação de verdadeiras redes clandestinas que recrutam pacientes em outros países”.

“Não se pode dar continuidade a um sistema que é mais vantajoso que a cobertura médica universal, a qual tem direito os franceses e os estrangeiros em situação regular na França”, assinalou o parlamentar conservador Philippe Vittel.