O golpe que em junho depôs o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, está criando constrangimentos nas sedes da ONU em Nova York e em Genebra. Parte da comitiva hondurenha aderiu ao governo de facto de Roberto Micheletti e acabou expulsa, inclusive à pedido do Brasil, de reuniões do órgão em Genebra. Em Nova York, os representantes hondurenhos continuam apoiando o presidente deposto. Como castigo, o governo de facto decidiu suspender o pagamento dos salários dos diplomatas, que estão há três meses sem receber.

Diante dessa situação, o grupo de países latino-americanos decidiu excluir os representantes de Honduras das reuniões da ONU em Genebra. O teste se dará na segunda-feira, quando a ONU inicia os trabalhos de seu Conselho de Direitos Humanos. Se Honduras aparecer na reunião, Venezuela, Bolívia e Cuba já anunciaram que vão interromper o encontro e pedir a retirada do representante. O Brasil também apoiará a exigência. Uma das opções seria trazer o embaixador hondurenho de Nova York para participar da reunião. O problema é que ninguém se dispôs a pagar os custos da viagem.

Há um mês, o governo de facto chegou a enviar um diplomata de baixo escalão, Fernando Zuniga, a uma reunião em Genebra. A delegação do Brasil e da Colômbia exigiram que ele esclarecesse qual governo ele representava. Zuniga saiu-se com uma resposta diplomática: “Isso quem pode dizer é o embaixador”, afirmou o diplomata, deixando o encontro.