O rio Danúbio aparentemente absorvia com poucos danos imediatos a lama vermelha formada por sedimentos tóxicos e cáusticos que vazaram de uma fábrica de alumina, disseram hoje autoridades. O volume do vazamento que cobriu o oeste da Hungria foi quase equivalente ao petróleo que vazou no Golfo do México em um acidente neste ano.

Após revisar para cima os cálculos iniciais, as autoridades afirmaram que foi esvaziado na última segunda-feira um depósito com entre 600 mil e 700 mil metros cúbicos do material. Três aldeias do país foram inundadas pela lama tóxica que também invadiu vilarejos, matou quatro pessoas e deixou mais de 150 feridas. O vazamento alcançou em poucas horas um volume pouco menor aos 757 mil metros cúbicos de petróleo que vazaram ao longo de vários meses, desde abril, do poço da British Petroleum (BP) no Golfo de México.

“As consequências não parecem ser tão dramáticas”, disse Philip Weller, líder da Comissão Internacional para a Proteção do Danúbio. Apesar disso, persiste o risco de um dano ambiental duradouro, conforme análise de laboratório feita a pedido da organização não governamental Greenpeace. Esses testes mostraram altas concentrações de substâncias tóxicas nas amostras tomadas dos sedimentos.

O Greenpeace informou, em Viena, que as amostras tomadas um dia após o vazamento tinham níveis “surpreendentemente altos” de 110 miligramas de arsênico e 1,3 miligrama de mercúrio por quilo da amostra. Os resultados, que também mostraram a presença de 660 miligramas de cromo por quilo, foram obtidos em análises realizadas em Viena e Budapeste.

No total, o vazamento dos sedimentos inclui 50 toneladas de arsênico, 300 toneladas de cromo e meia tonelada de mercúrio, informaram ontem representantes do Greenpeace. A análise da água em um riacho próximo do local do vazamento detectou níveis de arsênico superiores a 25 vezes o limite para a água ser considerada potável.