Centenas de partidários do governo cubano cercaram um pequeno grupo de dissidentes que marchava em passeata pelas ruas de Havana nesta quinta-feira, marcando o sétimo aniversário da prisão dos seus parentes. Os partidários do governo insultaram os manifestantes, em sua maioria mulheres e mães de dissidentes políticos presos, mas permitiram que a passeata seguisse em frente.

As chamadas Damas de Branco, muitas das quais mães e esposas de alguns dos 75 dissidentes presos na repressão de 18 de março de 2003, se comprometeram a protestar todos os dias nesta semana, para chamar a atenção internacional ao problema dos presos políticos em Cuba, muitos dos quais foram sentenciados a décadas de prisão.

“Nós estamos marchando em protesto porque já passamos sete anos em sofrimento, desde a prisão de 75 oposicionistas pacíficos”, disse Tania Montoya Vázquez, cujo marido foi sentenciado a cinco anos de prisão em 2008 por atividade dissidente. “Nós marchamos a favor da liberdade, a favor da mudança e a favor dos direitos humanos, que deveriam ser respeitados e não violados”.

No momento em que as mulheres saíram de uma igreja na Rua Cuba, em Havana Velha, na manhã desta quinta-feira, elas foram cercadas por manifestantes a favor do governo, que se reuniram fora do recinto.

O governo alega que seus partidários se reuniram de maneira espontânea, irritados com os dissidentes. Outros acreditam que o governo organizou os “atos de repúdio” e que muitos dos que neles tomaram parte são integrantes das forças de segurança de Estado.

Enquanto as Damas de Branco caminhavam e gritavam “liberdade” foram cercadas pelos partidários do governo, que gritavam “vermes”, ou “esta rua pertence a Fidel” gritavam os partidários do governo.

Ontem, uma manifestação semelhante das Damas de Branco foi interrompida por policiais femininas uniformizadas, que levaram embora algumas manifestantes num ônibus do governo. Hoje, no entanto, elas puderam percorrer as principais e mais famosas ruas de Centro Havana.

Da rua Cuba, elas seguiram para a rua Obispo e para a Praça José Martí, onde ficam alguns dos maiores hotéis da capital cubana. Diplomatas europeus e dos países latino-americanos estavam presentes e puderam ver a passeata.

A passeata continuou por 90 minutos, acabando num bairro popular de Centro Havana, na casa de Laura Pollan, a líder das Damas de Branco. Da Casa de Laura Pollan, as mulheres deram vazão à sua raiva contra os partidários do governo, gritando: “Assassinos” e “Liberdade para os 75”.

Resposta do governo

O histórico de direitos humanos em Cuba entrou em foco desde a morte do dissidente Orlando Zapata Tamoyo, que faleceu após uma greve de fome no mês passado. A morte de Zapata Tamoyo levou a várias críticas internacionais. O governo de Cuba emitiu uma série de respostas nervosas às críticas, dizendo que não diminuirá a pressão.

Ontem, a televisão estatal cubana exibiu um programa de duas horas denunciando a imprensa estrangeira por ela ter participado, supostamente, de uma campanha coordenada contra Cuba, com os grupos espanhóis de mídia assinalados como os mais duros críticos.

O governo cubano considera os dissidentes como criminosos comuns que são pagos pelos Estados Unidos para desestabilizar o regime comunista. Mas grande parte da ira do governo, nesta semana, se dirigiu à Europa e não aos EUA. O Parlamento Europeu votou e aprovou por maioria, em 11 de março, uma condenação ao governo cubano pela morte de Zapata Tamoyo.