Um teto de preços atrelado à inflação será implementado para alimentos e bebidas em todo o território cubano a partir de hoje, após testes em algumas províncias do país.

O descontrole nos preços agravou-se com as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e a situação política na Venezuela, principal aliado de Cuba. A queda de produtividade interna piorou o cenário.

O pacote de medidas anunciado pelo governo cubano inclui o aumento de salários e pensões de milhões de servidores públicos, somando mais de 8 bilhões de pesos por ano, ou aproximadamente 13% do orçamento de 2019.

As resoluções publicadas no diário oficial vetam o aumento de preços em todos os produtos do atacado e varejo, exceto importados e produtos distribuídos pelo Estado.

Companhias estatais dominam a economia de Cuba, mas reformas implementadas nos últimos anos levaram ao crescimento do setor privado de cooperativas, fazendeiros, pequenas empresas e autônomos, que consequentemente trabalham com preços estabelecidos de acordo com o mercado. Com a ausência de uma dinâmica de mercado, esses seriam os principais prejudicados pelas novas medidas.

Proprietário de uma lanchonete, Manuel Rodríguez disse que não tem problemas com os controles de preços se o Estado e o setor informal entrarem em um acordo, o que ele duvida que ocorra: “Eu concordo e consentiria com a regulação dos preços, mas os produtos nacionais são escassos e precisamos apelar aos importados, que são mais caros”, afirmou.

Pavel Vidal, ex-economista do banco central cubano e professor da Universidade Javriana Cali, na Colômbia, acredita que as medidas podem causar problemas no futuro. “Quanto mais controlam os preços nos mercados formais, mais inflação e instabilidade tomam conta dos mercados informais e menos incentivo é dado ao setor produtivo”, avalia. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.