A presidente argentina, Cristina Kirchner, promoveu ontem uma manobra estratégica ao anunciar que removerá da polêmica lei de radiodifusão a possibilidade de as companhias telefônicas participarem do novo mapa das empresas de mídia na Argentina e controlarem TVs a cabo. A presença das telefônicas provocava a rejeição dos parlamentares de esquerda e de centro-esquerda, grupo crucial para aprovar a nova lei, já que o governo está com um número apertado de deputados para conseguir sua aprovação. “Desta forma, eliminamos qualquer dúvida que alguns setores tinham”, afirmou Cristina durante uma breve entrevista coletiva. Os aliados do governo pretendem debater e votar ainda nesta semana o projeto na Câmara de Deputados.

A lei que Cristina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, querem aprovar reduz o número de licença dos atuais grupos de mídia – aos quais também impõe limites geográficos -, aplica um férreo controle do Poder Executivo sobre as concessões de licença e favorece a presença de sindicatos e organizações sociais (tradicionalmente aliados dos Kirchners) na mídia.

A oposição argumenta que a nova lei restringe a liberdade de imprensa, enquanto a presidente sustenta que elimina monopólios do setor, principalmente do Grupo Clarín – detentor de emissoras de TV aberta e a cabo e de rádios, além de jornais diários de circulação nacional especializados em economia e esportes -, com o qual o governo está em pé de guerra há um ano. A oposição pretende adiar a votação para dezembro, quando toma posse o novo Parlamento, no qual o governo será minoria.