Os problemas políticos do Egito devem resultar na suspensão de um resgate multibilionário ao país, levando-o a uma crise econômica ainda mais grave, tendo em vista que o Egito já vive uma escassez de combustíveis e uma forte alta de preços de produtos básicos.

Após longas negociações, que duraram mais de um ano, o Egito estava se aproximando de um empréstimo de US$ 4,8 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI). A deposição de Mohammed Morsi do cargo de presidente do país deve colocar a implementação de medidas de austeridade necessárias para garantir o empréstimo em um limbo perigoso.

Além disso, o processo também poderá colocar em questão a ajuda enviada pelos Estados Unidos. Desde 1979, o Egito vem recebendo em média US$ 2 bilhões por ano em ajuda econômica e militar dos norte-americanos.

Na quarta-feira, após a ação do Exército, o presidente Barack Obama ordenou a revisão da assistência financeira concedida por Washington, alegando que estava “profundamente preocupado” com a deposição de Morsi e a suspensão da Constituição egípcia pela cúpula militar, mas não se referiu ao episódio como golpe. Por lei, os Estados Unidos deveriam cortar a ajuda a qualquer país cujo presidente eleito é destituído do cargo por um golpe de Estado.

As forças armadas agiram para retirar Morsi do poder após quatro dias de grandes manifestações contra Morsi. Grande parte da inquietação do povo foi despertada pela situação econômica do país e o aumento da carga fiscal sobre os egípcios.

Analistas ressaltaram que o Egito poderia mergulhar ainda mais em uma crise econômica, dado a escassez de combustível e o crescente número de “apagões” no país. Além disso, os cidadãos poderão sofrer com o aumento de preços, por causa da desvalorização súbita e acentuada da moeda. Uma redução drástica das reservas de moedas estrangeiras também poderia dificultar a importação de petróleo e alimentos.

“Eu acho que eles estão prestes a entrar em território desconhecido”, disse Caroline Freund, analista do Instituto Peterson de Economia em Washington. “Sem estabilidade e previsibilidade política, investidores e turistas não devem voltar.”

Desde a revolta que depôs o ditador Hosni Mubarak em 2011, o Egito foi se afundando cada vez mais em um crise econômica. A indignação ainda é evidente nas ruas do Egito, onde os cidadãos comuns lamentam as dificuldades.

Mãe de quatro filhos, Gihan Ibrahim, de 40 anos, disse que sua impressão é de que os preços subiram no ano passado. “Não existe mais classe média. Todos eles se tornaram pobres”, disse. “Acho que este período de instabilidade será longo”. Fonte: Associated Press.