A Costa Crociere, proprietária do navio Costa Concordia, ofereceu nesta sexta-feira aos passageiros que não se feriram no naufrágio da embarcação ? 11 mil (US$ 14.460, ou cerca de R$ 25 mil) como compensação pela perda de bagagem e pelos traumas psicológicos decorridos por causa do acidente na costa da Toscana. Mas alguns passageiros que sofreram o acidente já disseram que não aceitam o acordo, ao afirmar que não podem ainda avaliar os custos do trauma que passaram. Outros afirmam que a questão não é apenas financeira, mas que a empresa precisa prestar contas e pedir desculpas pela tragédia.

A Costa, uma unidade da maior operadora de cruzeiros do mundo, a Carnival Corp., sediada em Miami (EUA), afirmou também que vai reembolsar os passageiros pelo custo total do cruzeiro, gastos de viagem e qualquer despesa médica ocorrida após a saída do navio.

O acordo foi anunciado nesta sexta-feira após negociações entre representantes da Costa e grupos de consumidores italianos, que afirmam representar 3.206 passageiros do navio provenientes de 61 países que não sofreram danos físicos quando o Costa Concordia naufragou em 13 de janeiro.

O acordo não se aplica às centenas de tripulantes do navio, aos quase 100 casos de pessoas feridas ou aos familiares dos mortos. Os passageiros podem abrir processos individuais se não ficarem satisfeitos com o acordo.

Alguns grupos de consumidores já representam turistas feridos num processo criminal contra o capitão do navio, Francesco Schettino, que é acusado de homicídio culposo, de ter causado o naufrágio e de ter abandonado a embarcação antes da saída de todos os passageiros. Ele está em prisão domiciliar. Se acusado formalmente e levado a julgamento, Schettino pode pegar uma sentença de 15 anos de prisão.

Alguns passageiros italianos não aceitaram o acordo porque disseram ser muito cedo para avaliar os prejuízos econômicos, morais e psicológicos que derivaram do naufrágio. “Nós estamos muito preocupados com nossos filhos”, disse Claudia Urru, de Cagliari, na Sardenha, que estava a b ordo com seu marido e dois filhos, de 3 e 12 anos. Ela disse que o filho mais velho está indo a um psicólogo. Ele não fala sobre o naufrágio e evitar olhar para a televisão quando são exibidas imagens e reportagens sobre o naufrágio do Costa Concordia. “Ele fica aterrorizado à noite e não vai sozinho ao banheiro. Estamos passando por um período difícil, muito difícil”, disse Urru.

Outros passageiros se mostraram furiosos com a proposta da Costa. O alemão Herbert Greszuk, de 62 anos, disse que deixou no navio naufragado vários objetos, incluída a câmera fotográfica, roupas sociais, joias, relógios e até a dentadura. Ele afirma que antes de uma indenização, precisa haver prestação moral de contas. “Algo como isso não pode acontecer novamente. Muita gente morreu; é simplesmente indesculpável”, disse Greszuk. Pelo menos 16 pessoas foram mortas no naufrágio e 16 estão desaparecidas. O transatlântico transportava 4.200 pessoas.

Além do processo contra Schettino, o Codacons, um dos mais conhecidos grupos de consumidores da Itália, contratou dois escritórios de advocacia norte-americanos para abrir um processo contra a Costa e a Carnival em Miami, afirmando que espera receber algo entre ? 125 mil (US$ 164.000) e ? 1 milhão (US$ 1,3 milhão) por passageiro.

As informações são da Associated Press.