A Coreia do Sul reiniciou transmissões de propaganda em toda a fronteira com a Coreia do Norte nesta segunda-feira, pela primeira vez em 11 anos, em retaliação pelo Norte supostamente ter plantado minas terrestres que explodiram na semana passada e mutilaram dois soldados sul-coreanos em uma zona desmilitarizada.

As transmissões contra os norte-coreanos sob alto-falantes voltados para além da fronteira mais fortemente armada do mundo certamente irão piorar os laços já fragilizados entre as

Coreias e enfurecer o Norte, que é extremamente sensível a qualquer crítica fora da liderança autoritária de Kim Jong Un.

Mais cedo, militares da Coreia do Sul prometeram que as explosões teriam consequências “escaldantes” na região controlada por Seul. Autoridades sul-coreanas disseram que podem também tomar medidas punitivas adicionais, dependendo de como a Coreia do Norte irá reagir. Não ficou claro por quanto tempo as propagandas vão continuar.

O Comando da Organização das Nações Unidas (ONU) liderado pelos Estados Unidos conduziu uma investigação que culpou a Coreia do Norte pelas minas. Ele condenou o que chamou de violações do armistício que terminou a guerra, que tecnicamente ainda continua porque os

participantes nunca assinaram um acordo de paz.

Os soldados estavam em uma patrulha de rotina perto de uma cerca de arame no lado sul

da fronteira quando as explosões aconteceram. Um dos soldados perdeu as duas pernas, enquanto o outro perdeu uma das pernas.

Em 2004, as duas Coreias pararam com a prática de propaganda de guerra ao longo da fronteira para reduzir a tensão. A prática tinha incluído alto-falantes, transmissões de rádio, cartazes e folhetos.

Em 2010, a Coreia do Sul reiniciou as transmissões de rádio e restaurou 11 alto-falantes

como parte de medidas punitivas tomadas após o naufrágio de um navio de guerra atribuído à Coreia do Norte que matou 46 marinheiros sul-coreanos no início daquele ano.

A Coreia do Sul realizou transmissões em alto-falantes nesta segunda-feira no oeste e em partes centrais da fronteira, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Kim Min-seok.

Ele disse que as transmissões enfatizaram que as explosões de minas foram uma provocação

pelo Norte.

Acredita-se que mais de um milhão de minas possam estar enterradas dentro da DMZ. Fonte: Associated Press.