Tropas do governo atacaram áreas controladas por milícias islâmicas na capital da Somália, dando inicio a confrontos que mataram pelo menos dez civis e quatro milicianos, segundo testemunhas. Cerca de 40 pessoas ficaram feridas.

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Os combates tiveram início na noite de ontem quando soldados do governo avançaram por um bairro em poder dos rebeldes em Mogadiscio e mataram quatro combatentes do Al-Shabab, disse Sa’id Ahmed, morador local. Reforços das milícias foram para o local e houve uma intensa batalha com morteiros e fuzis, que durou a noite toda, afirmou ele.

“Foi um dos piores combates que vi na cidade”, disse o morador Asha Ahmed Nur. Tiroteios e explosões puderam ser ouvidos em vários pontos de Mogadiscio, disse ele. Os moradores que buscaram refúgio em suas casas acreditavam que os combates eram o início de uma esperada ofensiva do governo contra as milícias islâmicas, afirmou Asha Ahmed Nur.

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Durante meses, funcionários somalis disseram que as tropas do governo, apoiadas por soldados da União Africana tentariam recuperar o controle dessas áreas. Mas não havia indícios de que os choques fossem o início de uma ofensiva. As forças do governo estavam prejudicadas pela falta de soldados, pagamentos atrasados e soldados que se queixam de não receberem sequer comida.

Ali Muse, do serviço de ambulâncias de Mogadiscio, disse que os corpos de dez civis foram resgatados e que 39 feridos foram levados a diferentes hospitais da cidade.

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Morteiros caíram em uma casa, mataram duas pessoas e feriram outras três, todos integrantes da mesma família, disse outro morador, Siyad Ali.

Governo e milícias

Milhares de civis perderam suas vidas por causa da violência em Mogadiscio, num conflito que se intensificou nos últimos três anos. Os confrontos ocorrem entre as milícias islâmicas e um fraco governo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Al-Shabab, uma organização que, segundo os Estados Unidos, tem vínculos com a Al-Qaeda, controla grande parte da Somália e age abertamente na capital, confinando o governo e as tropas de paz da União Africana a uns poucos quarteirões.

A Somália tem sido sufocada pela violência e pela anarquia deste que senhores da guerra islâmicos depuseram o ditador Mohamed Siad Barre em 1991 e depois começaram a lutar entre si. A pirataria floresceu na costa do país, fazendo do Golfo de Áden uma das rotas marítimas mais perigosas do mundo.