Confronto entre governo e milícias mata 14 na Somália

Tropas do governo atacaram áreas controladas por milícias islâmicas na capital da Somália, dando inicio a confrontos que mataram pelo menos dez civis e quatro milicianos, segundo testemunhas. Cerca de 40 pessoas ficaram feridas.

Os combates tiveram início na noite de ontem quando soldados do governo avançaram por um bairro em poder dos rebeldes em Mogadiscio e mataram quatro combatentes do Al-Shabab, disse Sa’id Ahmed, morador local. Reforços das milícias foram para o local e houve uma intensa batalha com morteiros e fuzis, que durou a noite toda, afirmou ele.

“Foi um dos piores combates que vi na cidade”, disse o morador Asha Ahmed Nur. Tiroteios e explosões puderam ser ouvidos em vários pontos de Mogadiscio, disse ele. Os moradores que buscaram refúgio em suas casas acreditavam que os combates eram o início de uma esperada ofensiva do governo contra as milícias islâmicas, afirmou Asha Ahmed Nur.

Durante meses, funcionários somalis disseram que as tropas do governo, apoiadas por soldados da União Africana tentariam recuperar o controle dessas áreas. Mas não havia indícios de que os choques fossem o início de uma ofensiva. As forças do governo estavam prejudicadas pela falta de soldados, pagamentos atrasados e soldados que se queixam de não receberem sequer comida.

Ali Muse, do serviço de ambulâncias de Mogadiscio, disse que os corpos de dez civis foram resgatados e que 39 feridos foram levados a diferentes hospitais da cidade.

Morteiros caíram em uma casa, mataram duas pessoas e feriram outras três, todos integrantes da mesma família, disse outro morador, Siyad Ali.

Governo e milícias

Milhares de civis perderam suas vidas por causa da violência em Mogadiscio, num conflito que se intensificou nos últimos três anos. Os confrontos ocorrem entre as milícias islâmicas e um fraco governo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Al-Shabab, uma organização que, segundo os Estados Unidos, tem vínculos com a Al-Qaeda, controla grande parte da Somália e age abertamente na capital, confinando o governo e as tropas de paz da União Africana a uns poucos quarteirões.

A Somália tem sido sufocada pela violência e pela anarquia deste que senhores da guerra islâmicos depuseram o ditador Mohamed Siad Barre em 1991 e depois começaram a lutar entre si. A pirataria floresceu na costa do país, fazendo do Golfo de Áden uma das rotas marítimas mais perigosas do mundo.

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