Comentários feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a aparência de uma apresentadora de telejornal em seu perfil no Twitter desviaram a atenção da agenda legislativa do governo no Congresso e dominaram a coletiva de imprensa diária da Casa Branca nesta quinta-feira. “Ouvi o mal avaliado Morning Joe falar mal de mim (não vou ver mais). Por que então a louca Mika, de baixo Q.I., junto com o doente mental Joe, vieram a Mar-a-Lago três noites seguidas perto do fim do ano e insistiram em me ver? Ela sangrava muito por conta de um lifting facial. Eu disse não!”, disse o presidente no Twitter.

Os tuítes referem-se a Mika Brzezinski e a Joe Scarborough, apresentadores do programa MSNBC Morning Joe. Esses comentários foram feitos ao mesmo tempo em que a Casa Branca vinha trabalhando para manter o foco no avanço da agenda legislativa de Trump no Congresso, como a aprovação do projeto dos líderes republicanos no Senado de reforma no sistema de saúde.

Congressistas republicanos criticaram os comentários do presidente. O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Paul Ryan, falou brevemente sobre o assunto, ao dizer que “não vejo isso como um comentário apropriado”. A senadora Susan Collins (Maine) disse que “isso tem que parar. Não precisamos nos dar bem, mas devemos mostrar respeito e civilidade”. Já o senador Lindsey Graham (Carolina do Sul) afirmou que o tuíte de Trump representa “o que há de errado na política americana, e não a grandeza dos EUA”.

A Casa Branca, por sua vez, defendeu o presidente. Durante a coletiva de imprensa diária, a vice-porta-voz do governo, Sarah Huckebee Sanders, pontuou que Trump estava sob ataque por parte dos jornalistas, que haviam dedicado 342 minutos para criticar medidas do presidente, e um tempo muito menor para outros assuntos, como a reforma tributária (1 minuto, nas contas da Casa Branca). Sanders disse, ainda, que é um direito do presidente se defender quando atacado pessoalmente e que ele irá revidar quando for alvejado pessoalmente.