Milhares de fiéis compareceram nesta quinta-feira ao principal templo da Igreja da Unificação na Coreia do Sul para se despedir do reverendo Moon no primeiro dos sete dias de condolência à morte deste líder religioso autoproclamado “messias”, que morreu na última segunda aos 92 anos.

Fiéis de todas as idades se reuniram para prestar suas últimas homenagens ao líder religioso no Centro Mundial da Paz “Cheong Shim” (“mente pura”, em coreano), o impressionante templo da seita que possui capacidade de receber 50 mil pessoas e que se encontra sobre uma montanha do condado sul-coreano de Gapyeong, a 60 quilômetros da capital Seul.

“Estou muito triste porque o reverendo era como meu autêntico pai”, afirmou à Agência Efe Bae Heung-Won, integrante deste movimento neocristão que conta com mais de 3 milhões de adeptos em mais de 190 países e que considera Moon como um “verdadeiro pai” da humanidade.

Apesar da tristeza nos rostos dos fiéis, não se escutavam prantos dentro do templo e, inclusive, em frente ao altar onde encontrava o corpo do reverendo. Isso porque, a filosofia dos “moonies”, como são chamados os seguidores de Moon, recebem a morte não como um motivo de tristeza, mas de alegria.

“No momento da morte, nosso espírito deve se sentir mais alegre e emocionado que uma recém-casada quando visita seu cônjuge pela primeira vez”, dizia Moon, que também era reconhecido pela realização de impressionantes casamentos coletivos.

Com a solene melodia Arirang – hino extra-oficial do povo coreano – como trilha sonora da cerimônia, o filho mais novo do reverendo e líder da Igreja da Unificação desde 2008, Hyung Jin Moon, coordenou o evento de hoje.

Assim como seu pai, o jovem Moon, de 32 anos, “possui uma especial liderança espiritual e um dom para guiar as pessoas”, assegurou à Agência Efe o octogenário Bo Hi Pak, mão direita do falecido reverendo e presidente da fundação cultural auspiciada pela Igreja da Unificação.

Pak revelou que o altar dedicado a Sun Myung Moon, que permanecerá aberto até a próxima quinta-feira, receberá, além de fiéis, curiosos e veículos da imprensa internacional, o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, e outras autoridades políticas e empresariais.

Concluído esse período de luto, no dia 15 de setembro, será realizado o funeral do reverendo, que será enterrado neste mesmo dia. Dois dias depois, a viúva de Moon, Hak Ja Han, “indicará aos fiéis de todo o mundo as diretrizes que serão seguidas pela seita” após a morte do “messias”.
Segundo Pak, a Igreja da Unificação não deve apresentar “grandes mudanças”, já que “a morte de Moon servirá para dar ainda mais inspiração e continuidade ao seu trabalho”.
Já no âmbito econômico, Kook Jin Moon, quarto filho do líder religioso, seguirá à frente do império econômico que a Igreja acumulou desde sua fundação em 1954 sob o conglomerado Tongil Group.
O grupo financeiro de Moon, que abrange desde instituições educativas e veículos de comunicação até uma fábrica de automóveis na Coreia do Norte, também é dono do Seongnam Ilhwa Chunma, o time de futebol com mais títulos no Campeonato Sul-coreano e torcedores (muitos deles fiéis).