Autoridades começaram nesta sexta-feira (11) a contabilizar os votos da primeira eleição, em nove anos, no Nepal, um país dividido entre insurgentes comunistas e um rei autocrático. Ontem, dia da votação histórica, trocas de tiros e outros tipos de confrontos deixaram dois mortos. Nos dias anteriores, oito pessoas morreram de forma violenta no país. Isso não impediu que milhões de nepaleses comparecessem às urnas.

Segundo as Nações Unidas, o comparecimento foi uma mostra do "entusiasmo" causado pelas eleições. Estão em disputa as 601 cadeiras da Assembléia Constituinte, que deve escrever a nova Constituição. A medida é parte de um acordo de paz firmado em 2006 entre o governo e ex-rebeldes, conhecidos como maoístas.

Porém, as eleições são apenas um primeiro passo na construção de um novo país. Nenhum dos 54 partidos deve ganhar com folga. Segundo os encarregados da apuração dos votos, o fato de haver urnas em áreas afastadas e de difícil acesso do país deve fazer com que a apuração demore semanas.

Com uma diferença de tempo tão grande entre a votação e a divulgação do resultado, existe o temor de instabilidade no país. Segundo a polícia, um eleitor que apoiava o partido de centro Congresso Nepalês foi baleado hoje na vila de Chakatvisa, a sudoeste da capital Katmandu, e está seriamente ferido. Também hoje uma bomba explodiu perto de um prédio em que eram apurados votos em Birgunj, 160 quilômetros ao sul de Katmandu. Ninguém ficou ferido.

A Comissão Eleitoral divulgou o resultado de uma cadeira em Katmandu. O vencedor foi o Congresso Nepalês. Essa votação foi feita de forma eletrônica, a maioria das outras foi com cédulas de papel.

A violência antes e durante as eleições dá margem a que qualquer dos partidos envolvidos rejeite os resultados. Há também a própria complexidade do pleito, uma mistura de eleições diretas e um sistema de representação proporcional nacional, com cotas para mulheres e várias etnias e castas nacionais.

Outra questão em aberto é o futuro do rei Gyanendra. A maioria dos partidos já decidiu que encerrará a monarquia de 239 anos do Nepal na primeira sessão da assembléia. Mas o rei tem apoio de importantes líderes do Exército e entre fundamentalistas hindus, que o vêem como a reencarnação do deus Vishnu.