Bogotá – A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Clara Rojas, recém libertada, revelou nesta sexta-feira (11) à imprensa colombiana que poucos meses depois de ser seqüestrada, em 2002, tentou fugir junto com sua amiga Ingrid Betancourt, que continua sob poder do grupo guerrilheiro.

Clara contou à rádio colombiana La W que "dois ou três meses" depois de serem seqüestradas, em fevereiro de 2002, chegaram com a patrulha guerrilheira a um acampamento onde iriam ficar e, acreditando estar próximo do local do seqüestro, decidiram tentar a fuga. "Na primeira oportunidade, vamos tentar", combinaram na época, contou Clara.

Alguns dias depois, continuou a ex-candidata a vice-presidência da Colômbia, "decidimos tentar, mas a sorte não nos acompanhou, porque simplesmente entre a escuridão da noite e a selva, nos perdemos e eles nos pegaram novamente".

A tentativa de fuga foi punida pelos guerrilheiros que mantiveram Clara e Ingrid acorrentadas durante quinze dias e depois mais alguns dias apenas de noite, até soltarem definitivamente, acrescentou Clara.

Clara, que não encontra Ingrid há três anos, revelou também que o episódio produziu um esfriamento na amizade das duas, após as acusações recíprocas pela culpa do fracasso na fuga.

Na realidade, acrescentou "não conseguimos entrar em sintonia" e isto nos levou "a perder o senso de humor" criando uma "situação muito triste", a ponto que "ela acabou por se sentar de um lado da mesa e eu de outro".

Mas concluiu, afirmando que entre nós "resta uma afetuosa simpatia".