O cientista iraniano que passou 14 meses nos Estados Unidos em circunstâncias misteriosas atuou durante anos como informante da norte-americana Agência Central de Inteligência (CIA), afirmou hoje o jornal New York Times. “Shahram Amiri descreveu a funcionários da inteligência americana detalhes sobre como uma universidade em Teerã tornou-se a sede encoberta dos esforços nucleares do país”, afirma uma reportagem do diário, citando funcionários dos Estados Unidos que pediram anonimato.

“Enquanto ainda estava no Irã, ele também foi uma das fontes para a bastante contestada Estimativa Nacional de Inteligência sobre o suspeito programa de armas do Irã, publicada em 2007”, afirma o jornal. Por “vários anos”, Amiri “forneceu o que um funcionário descreveu como informação ‘significativa, original’ sobre aspectos secretos do programa nuclear do país”. Amiri afirma que foi sequestrado por agentes dos EUA. Ao chegar ao aeroporto de Teerã, ontem, ele disse não ter nenhum vínculo com o controverso programa nuclear iraniano.

O cientista desapareceu quando viajava para a Arábia Saudita em junho de 2009, durante uma peregrinação. Nesta semana, apareceu na seção de interesses do Irã na embaixada do Paquistão em Washington. Ele deixou os EUA na quarta-feira, após funcionários locais insistirem que ele havia chegado por vontade própria e poderia partir, se quisesse.

Ao chegar a Teerã, Amiri afirmou ser um “simples pesquisador” e não ter envolvimento com o programa nuclear. As potências lideradas pelos EUA temem que o Irã busque secretamente armas nucleares, o que Teerã nega, alegando ter apenas fins pacíficos. As informações são da Dow Jones.