Já tenho programados os meus dias da semana. Cada dia uma tarefa ou obrigação. Às vezes, ?a obrigação? é ficar em casa lendo, escrevendo ou apenas ficar de folga mesmo… Mas sábado é quase sagrado. Já faz algum tempo, convidada pelo meu amigo Juca, participo de um papo furado na lanchonete ?do japonês?, na Praça Santos Andrade, com o Oscar, o Cavalcanti, o próprio Juca, às vezes a Maria Cristina (Caperucita), o João Manoel e outros que vão chegando.

Naquela manhã de sábado, saí de casa para comprar primeiro a minha broa, depois eu iria à procura dos meus amigos na lanchonete. Ao me aproximar da Praça Tiradentes, vi na esquina da Rua Monsenhor Celso, bem defronte às Casas Pernambucanas, um grupo de índias. Aproximei-me. Elas vendiam cestinhas de palha… Eram duas jovens com seus bebês sendo amamentados e uma menina de uns 10 ou 12 anos. Estavam todas muito sujas, embarradas… Mostrei intenção de abraçar a menina, mas ela se assustou.

Não. Eu não pretendia comprar seus trabalhos. Instintivamente abri a bolsa, tirei cinco reais, alcancei para uma delas e fui embora, comprar minha broa, ali perto. Ao voltar, constatei que apenas a menina estava com os bebês. E então, entendi que as duas mulheres haviam ido, provavelmente, comprar comida com os cinco reais!

Naquela manhã de sábado não fui ao encontro dos meus amigos. Eu seria uma péssima companhia com as lágrimas teimando em correr dos olhos. É chocante, muito triste ver no que transformaram nossos índios.

Margarita Wasserman – Escritora e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.