Chineses fazem protestos pelo mundo para defender a China

Milhares de chineses realizaram manifestações no fim de semana dentro e fora do país em reação aos ataques sofridos pela tocha olímpica em seu percurso mundial, iniciado no dia 3 de abril, e em defesa dos Jogos de Pequim e do controle do Tibete pela China. Na Europa e nos Estados Unidos, o alvo foi a imprensa ocidental. E na própria China, o alvo foi a rede francesa de supermercados Carrefour, que catalisou a ira dos jovens contra os atos pró-independência do Tibete realizados em Paris no dia 7 de abril, durante a passagem da tocha olímpica na cidade.

Depois de incentivar o boicote a empresas francesas e fomentar o sentimento de xenofobia na população, o governo chinês começou a agir no fim de semana para esfriar os ânimos e tentar evitar que o entusiasmo nacionalista fuja ao seu controle. Assim, a censura chinesa apagou dos fóruns de discussão freqüentados por jovens a maioria das mensagens que defendiam o boicote ao Carrefour.

Até o último sábado (12), um busca na internet com a expressão "boicote ao Carrefour" trazia em primeiro lugar os textos críticos à rede francesa. Neste domingo, no entanto, a lista já era encabeçada por mensagens contemporizadoras, contrárias ao boicote e à idéia de que todos os ocidentais são inimigos da China.

Órgãos de imprensa ligados a Pequim e ao Partido Comunista passaram a defender que o patriotismo seja expressado de maneira "calma" e "racional". O governo também mobilizou centenas de policiais para defender a integridade das lojas do Carrefour no país.

Desde que 1 milhão de estudantes ocuparam por quase dois meses a Praça da Paz Celestial, em 1989, o governo chinês controla as manifestações no país com mão de ferro. Dessa maneira, elas só ocorrem se contarem com a chancela oficial.

No sábado, milhares de pessoas se reuniram em seis cidades chinesas para protestar em frente às lojas do Carrefour, com faixas que traziam dizeres como "Cale a boca, França" e "O Tibete é parte da China".

Na cidade de Wuhan, capital da província central de Hubei, alguns manifestantes carregavam imagens de Mao Tsé-tung (1893-1976), o líder que, como nenhum outro, soube despertar a irracionalidade da juventude na Revolução Cultural (1966-1976).

Neste domingo (20), as manifestações continuaram em outras cidades chinesas, incluindo a antiga capital imperial Xian, e Jinan e Harbin, no nordeste do país.

Fora da China, cerca de 1.500 chineses protestaram em frente à sede da CNN em Los Angeles, nos Estados Unidos, para pedir a demissão do comentarista Jack Cafferty, que no dia 9 de abril afirmou no programa "Situation Room" que os chineses são "imbecis e bandidos" e os produtos que vendem ao exterior, "lixo". Cafferty disse na semana passada que não se referia ao povo, mas sim ao governo da China.

A rede britânica BCC foi alvo de protestos chineses realizados em Londres e Manchester. Também ocorreram demonstrações em Paris e Berlim.

Preocupado com o impacto das manifestações, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, decidiu mandar dois enviados com mensagens ao governo chinês. O vice-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin desembarca em Pequim na quarta-feira, enquanto o principal conselheiro diplomático de Sarkozy, Jean-David Levitte, chega à cidade no sábado.

Entre os elementos por trás dos protestos, está a enorme insatisfação do governo chinês com a decisão de Sarkozy de condicionar sua ida à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos ao início de conversações entre Pequim e o dalai-lama, o exilado líder espiritual do Tibete.

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