O mafioso Daniele Emmanuello, considerado um dos 30 mais perigosos fugitivos da Justiça da Itália, morreu nesta segunda-feira (3) na Sicília enquanto tentava escapar da polícia, informaram as autoridades. O corpo de Emmanuello foi encontrado em um desfiladeiro, onde aparentemente caiu após tentar fugir das autoridades, que estavam próximas ao seu esconderijo. Segundo a agência de notícia Ansa, a polícia deu tiros de advertência enquanto perseguia Emmanuello, mas o mafioso não teria sido atingido. Emmanuello, considerado pelas autoridades o chefe da máfia siciliana, a Cosa Nostra, na cidade portuária de Gela, estava foragido desde 1996, acusado de associação mafiosa, tráfico de drogas e assassinatos.

O ministro do Interior da Itália, Giuliano Amato, disse que não pode sentir alegria com a morte de qualquer pessoa, mas afirmou que "as forças oficiais finalmente livraram a Sicília de um dos mais sanguinários e poderosos mafiosos." O prefeito de Gela, Giuseppe Crocetta, disse que Emmanuello era um "chefão emergente" que tentava unir os quatro grandes clãs mafiosos da Sicília, de Palermo, Corleone, Trapani e Agrigento.

Segundo a polícia local, Emmanuello ficou cada vez mais isolado depois que 80 comerciantes de Gela se recusaram a pagar o "pizzo", ou a taxa de extorsão que a Cosa Nostra cobra dos empresários como "dinheiro de proteção". O "pizzo" foi durante longo tempo uma das principais fontes de renda da máfia siciliana, mas empresários sicilianos recentemente começaram a se rebelar contra o seu pagamento. A Cofindustria, a federação da indústria italiana, ameaçou recentemente expulsar os empresários que pagassem a propina.

O ministro Amato pediu aos sicilianos "coragem" para se rebelarem contra o pagamento das extorsões. "Nós estamos com todos os sicilianos, que nos últimos meses passaram a demonstrar uma grande coragem em se rebelar contra a opressão do crime organizado," disse o ministro em comunicado.