O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu hoje que a situação carcerária no país é um “problema grave” enfrentado por seu governo e pediu aos funcionários públicos que acelerem a transição do sistema para que ele se torne mais humano.

Durante contato telefônico com a televisão estatal, Chávez afirmou que a situação de deterioração e excesso de presos nas 34 prisões do país é “um problema grave, sério”. Após mais de três semanas de negociações e enfrentamentos esporádicos entre os presos e militares, o governo conseguiu, na quarta-feira, retomar o controle do presídio de El Rodeo II, localizado 50 quilômetros a leste da capital, Caracas. Centenas de presos realizaram uma rebelião no local que durou 27 dias.

Antes do fim da rebelião, um grupo de presos conseguiu escapar, mas as autoridades não disseram quantos fugiram nem quando ocorreu a fuga. Chávez mostrou-se surpreso com a fuga e com a presença de armas dentro das instalações de El Rodeo II. “É estranho que eles tenham armas de guerra, que tenham capacidade para se manterem no local durante um mês”, disse o governante ao denunciar a existência de “máfias” formadas por prisioneiros e os funcionários que trabalham no presídio.

Chávez pediu às autoridades que “revisem a fundo” esta situação. “Isso tem de ser solucionado. É como um câncer que tem de ser tratado. É preciso retirar tumores, aplicar o tratamento. É como um câncer social”, afirmou. Mesmo assim ele defendeu a atuação das autoridades no caso de El Rodeo II e disse que a crise foi resolvida “da melhor forma possível”.

O presidente fez um chamado aos funcionários públicos para que “acelerem a transformação de todo o sistema penitenciário” e que transformem “estas prisões velhas, centros de degradação e de destruição do ser humano” em instalações de “formação do novo homem”. As informações são da Associated Press.