Ambos os lados na guerra no leste da Ucrânia ordenaram, com cautela, que suas forças obedeçam ao cessar-fogo intermediado pelos líderes europeus, que entrou em vigor à meia-noite deste sábado, horário local, mesmo após o combate ter se intensificado nos dias e horas que antecederam do prazo para o início da trégua.

Não houve qualquer declaração imediata sobre quão bem o cessar-fogo estava sendo observado. Na corrida até o prazo final, Kiev e os rebeldes apoiados pelos russos acusaram um ao outro de preparar a violação do acordo.

A trégua é vista como uma possível última chance para encerrar o conflito, que matou mais de 5 mil pessoas. Mas um acordo anterior, em setembro, entrou em colapso e as dúvidas sobre a implementação do novo cessar-fogo aumentaram enquanto os dois lados seguiam lutando e discutindo sobre especificidades do acordo.

Em um discurso para os comandantes militares transmitido ao vivo pela televisão, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ordenou que suas forças parassem de atirar a partir da meia-noite, mas advertiu que os intensos combates na proximidade da trégua ameaçavam o processo de paz.

Líderes separatistas também declararam que tinham dado ordens para parar de disparar à meia-noite.

“Todos deve saber que, se falharmos agora em nossos esforços, todas as partes envolvidas na região, mas principalmente as pessoas do leste da Ucrânia – e é isso que conta – vão pagar um preço alto”, disse o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Líderes do Ocidente demonstraram mais uma vez seu apoio ao novo acordo. A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, que ajudaram a negociar o acordo em uma maratona de conversas em Minsk, Bielorrússia, telefonaram ao presidente ucraniano neste sábado e prometeram apoio para garantir que o acordo seria cumprido. Os líderes alemão e francês também falaram com o presidente russo, Vladimir Putin, para reforçar a importância do acordo, informou o Kremlin.

O presidente dos EUA, Barack Obama, conversou com Poroshenko neste sábado e os dois concordaram em coordenar medidas, caso o cessar-fogo seja violado, disse o porta-voz do presidente ucraniano, no Twitter. O governo Obama informou que está considerando responder ao pedido de longa data de Kiev para uma ajuda militar não letal, mas vai esperar para ver se a trégua se mantém antes de tomar uma decisão.

O secretário de Estado dos EUA John Kerry, por sua vez, telefonou a seu colega russo, Sergei Lavrov, para salientar a importância de observar o acordo, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Lavrov também pediu a Kiev para suspender o que Moscou chama de bloqueio econômico das regiões separatistas.

Poroshenko colocou toda a responsabilidade por eventuais violações do cessar-fogo nos separatistas. “Estamos na encruzilhada agora: ou o inimigo parar de atirar, e a desaceleração e o processo político começam, ou o inimigo impõe uma escalada do conflito sobre nós e o mundo inteiro”, disse. Ele reiterou que, se o cessar-fogo não se sustentar, a lei marcial será imposta nacionalmente na Ucrânia.

Fonte: Dow Jones Newswire