A violência na Síria continuou hoje com ao menos dez mortos em um ataque com um carro-bomba em Damasco, e ao menos três mortos em ataques aéreos registrados próximos à capital, numa das mais violentas ações do regime até o momento.

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De acordo com a televisão estatal da Síria, um carro-bomba matou pelo menos dez pessoas em Jaramana, distrito do sudeste de Damasco. Entre os mortos, estavam mulheres e crianças. O ataque foi considerado “terrorismo” pela emissora. O distrito é controlado pelas forças leais ao ditador Bashar Assad.

Por parte do regime, uma série de ataques aéreos foi perpetrada em cidades próximas a Damasco nesta segunda-feira. Para o Observatório Sírio de Direitos Humanos, é o maior ataque já realizado por aviões militares desde o início do conflito. “Aconteceram 34 incursões em três horas nesta manhã no país. Esta é a utilização mais violenta dos caças desde que a aviação entrou em ação”, disse a organização em comunicado.

Segundo uma rede de televisão opositora, aviões militares do regime atacaram as cidades de Arbin e Zamalka, nos arredores da capital. Em Harasta, uma área rural onde ocorrem conflitos terrestres, aeronaves controladas pelo Exército bombardearam fazendas. Segundo o Observatório, três civis morreram em Duma, outra cidade que foi alvo das aeronaves. Ainda não há uma estimativa do total de mortos nos outros ataques.

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Os bombardeios foram intensos durante duas horas e abalaram os vidros dos apartamentos do centro da capital síria.

Turquia

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A artilharia turca respondeu hoje à queda de um morteiro disparado a partir da Síria em seu território, que não provocou vítimas, informou a agência de notícias estatal da Turquia.

O morteiro sírio caiu perto da região turca de Besaslan, no sul da província de Hatay, próxima à fronteira. Perto dali, na cidade síria de Haram, o Exército do ditador Bashar Assad luta contra um grupo de rebeldes.

A Turquia responde sistematicamente toda vez que seu território é atingido por morteiros da Síria, após a morte de cinco turcos em 3 de outubro.

Trégua sem sucesso

Os confrontos ocorridos hoje se somam a uma série de enfrentamentos durante um período em que se esperava um cessar-fogo dos dois lados. A trégua foi proposta pelo enviado da Organização das Nações Unidas ao país, Lakhdar Brahimi.

Ele admitiu hoje que o cessar-fogo que propôs fracassou. A ideia de Brahimi era aproveitar o feriado muçulmano de Eid al Adha, um dos mais importantes do islamismo, para dar início às negociações de um processo de paz.

O conflito na Síria, no qual rebeldes tentam remover o ditador Bashar Assad do poder, já dura 19 meses. Cerca de 30 mil pessoas morreram até o momento.