Foto: Chuniti Kawamura

Irene Ptok Martins, que vive em Curitiba, soube que sua cadela Ketty – da raça Bichon Frize e que tem dez anos de idade – tinha diabetes em meados do ano passado.

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O diabetes é uma das doenças que mais mata no mundo. Porém, a enfermidade não é exclusiva dos seres humanos, também podendo ser constatada em pequenos e grandes animais. Entre os de estimação, a maior parte dos casos registrados dentro da medicina veterinária têm como vítimas cães e gatos. Neles, assim como nas pessoas, o diabetes tem dois tipos comuns: o diabetes mellitus e o diabetes insipidus.

Mellitus

O nome mellitus vem da palavra ?mel?. Este tipo de diabetes é caracterizado pelo excesso de glicose (açúcar) no sangue. O nível normal de glicose para cães e gatos é de até 110 mg/dl (miligramas de açúcar por decilítros de sangue). Quando a taxa é superior a esta, é diagnosticado o diabetes. ?O Mellitus é o tipo mais comum de diabetes. A doença é caracterizada pela pouca produção do hormônio insulina pelo pâncreas, órgão que também é responsável pela produção de enzimas digestivas?, explica o médico veterinário João Alfredo Kleiner, responsável pelo hospital veterinário São Bernardo, em Curitiba.

A insulina é a responsável pela regulação dos níveis de glicose no sangue. Por isso, o diabetes mellitus também pode ser definido como uma doença na qual o pâncreas é incapaz de regular a quantidade de açúcar no sangue devido a alterações na produção do hormônio. O problema pode ter origem genética, o que acontece na grande maioria dos casos, ou ser adquirido, aparecendo como resultado de alguma outra enfermidade no pâncreas. Entre os cães, os representantes da raça poodle são os que têm maior pré-disposição genética a ter a doença.

Os primeiros sintomas do diabetes costumam ser aumento do consumo de água por parte do animal, excesso de urina e grande apetite, sendo que o bichinho, apesar de comer mais, começa a emagrecer. Se não tratada corretamente, a doença pode resultar em complicações, como por exemplo problemas articulares. Porém, a principal delas é o aparecimento de catarata (doença oftalmológica que consiste na opacidade total ou parcial do cristalino) nos dois olhos do paciente. Esta pode levar o cão ou o gato à cegueira.

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O tratamento do diabetes mellitus em cães e gatos é muito semelhante ao tratamento do problema em humanos. No começo do processo terapêutico, geralmente é necessário que o animal fique internado para que se dê início à regulação dos níveis de glicose. Posteriormente, o bichinho passa a se alimentar somente de ração especial diet e a receber injeções de insulina de duas a três vezes ao dia. Estas devem ser dadas sempre nos mesmos horários e em quantidades adequadas pelos proprietários, pois o excesso também pode gerar problemas, como por exemplo crises convulsivas. Periodicamente, o paciente terá que passar por exames para que seja medida a taxa de açúcar.

?Um cão ou gato diabético requer muito mais atenção dos donos. É um animal que deve ter uma rotina rígida e não pode ser deixado sozinho quando as pessoas vão viajar. A longevidade dos pacientes com diabetes geralmente é menor. Entretanto, eles podem ainda viver bastante e com qualidade se o tratamento for realizado de forma correta pelos proprietários?, informa o veterinário. Em alguns casos, a vítima do diabetes mellitus pode não ser dependente de insulina, necessitando apenas de dieta especial aliada à realização de exercícios físicos freqüentes. Porém, estes casos são considerados raros.

Insipidus

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O diabetes insipidus não está relacionado aos níveis de açúcar no sangue, mas sim a uma deficiência do hormônio antidiurético, que controla a absorção de água nos rins. Quando ocorre a deficiência, a água deixa de ser absorvida e faz com que o animal passe a urinar mais e também a ter mais sede, fazendo com que os sintomas sejam semelhantes ao do diabetes mellitus. O problema pode levar à deficiência de eletrólitos no organismo e também a alterações de pêlo, sendo caracterizado como uma doença da hipófise (glândula que fica na base do cérebro e é responsável pela produção do hormônio antidiurético). ?O diabetes do tipo insipidus também pode ser genético ou adquirido, resultando de problemas no rim. O tratamento é feito com base em suplementação hormonal?.

Tratamento assegura vida longa a animais domésticos

Foto: Fábio Alexandre

João Alfredo Kleiner.

Descobrir que o animalzinho de estimação sofre de diabetes é sempre um choque para os proprietários. Muitos desconhecem o fato de a doença também acometer animais e se sentem inseguros quanto ao tipo de tratamento que vão ter que proporcionar ao bichinho.

A dona-de-casa Irene Ptok Martins, que vive em Curitiba, soube que sua cadela Ketty – da raça Bichon Frize e que tem dez anos de idade – tinha diabetes em meados do ano passado. ?Fiquei muito chateada. Não sabia que cães podiam ter diabetes e foi muito triste receber o diagnóstico?, afirma.

Com a doença confirmada, Ketty passou a receber duas aplicações diárias de insulina e alimentação especial. Ministrar o produto costuma ser trabalhoso, mas Irene diz que é muito compensador. ?Antes de iniciar o tratamento, minha cadelinha estava apática e quase já não agüentava mais andar. Hoje, ela corre e sempre se mostra bastante animada. O trabalho compensa?.

Perda

Recentemente, a empresária Marlene Dei Ricardi, também da capital, perdeu uma cadelinha poodle micro toy em função do diabetes. O animal, que atendia pelo nome de Fluffy, faleceu aos treze anos de idade, deixando saudades em sua dona. ?Sinto muita falta da Fluffy, mas me sinto feliz pelo fato de, mesmo com diabetes, ela ter tido uma vida longa e com qualidade?, comenta.

A cadela teve o diabetes diagnosticado aos sete anos de idade. Três anos depois, devido à enfermidade, perdeu a visão. Porém, graças à dedicação total de sua proprietária, é tida como um exemplo de longevidade entre animais diabéticos. ?Quando Fluffy perdeu a visão, eu passei a enxergar por ela. Tinha semanas que eu a levava quase todos os dias para medir o nível de açúcar no sangue e muitas vezes deixei de viajar para poder cuidar dela. Algumas pessoas me perguntavam por que eu tinha tanto trabalho e questionavam se não era mais fácil sacrificá-la. Eu tinha vontade de bater em quem falava isso. O diabetes é uma doença terrível, mas não me arrependo de ter cuidado da Fluffy até o final e não hesitaria se tivesse que fazer tudo novamente?, declara.

Depois da morte de Fluffy, Marlene ficou um bom tempo sem querer adquirir um novo cão.

Achou que não iria agüentar se tivesse que conviver com a dor da perda novamente. Porém, superou o medo e hoje é proprietária de Liz, uma po-odle bastante parecida com a antiga companheira e que demonstra ter uma saúde digna de inveja.