Três britânicos muçulmanos foram condenados hoje por um júri de Londres por conspirar para assassinar milhares de pessoas. O grupo planejava explodir pelo menos sete aviões de passageiros quando as aeronaves partissem de Londres para os Estados Unidos e o Canadá. Se concretizado, este seria o maior ataque terrorista desde 11 de setembro de 2001.

O júri considerou Abdulla Ahmed Ali, de 28 anos, Assad Sarwar, de 29 anos, e Tanvir Hussain, de 28 anos, culpados de conspiração para matar, com a intenção de detonar explosivos em aeronaves quando elas estivessem em pleno voo. O juiz Richard Henriques disse que emitirá a sentença aos condenados no dia 14 de setembro.

Quatro outros supostos conspiradores – que a promotoria disse terem tentado colocar os explosivos nos aviões, escondendo os dispositivos em garrafas de refrigerantes – foram absolvidos da acusação de conspirar para explodir os aviões. Funcionários das agências de segurança do Reino Unido e dos EUA disseram que o plano tinha ligação direta com a rede terrorista Al-Qaeda.

Os conspiradores britânicos foram descobertos apenas alguns dias antes de conduzirem os ataques suicidas, quando a polícia capturou 25 suspeitos em agosto de 2006, em Londres e em Rawalpindi, no Paquistão. Na operação, foram descobertos vídeos, gravados pelos acusados, com mensagens de martírio.

A descoberta da conspiração provocou mudanças nas normas de segurança dos aeroportos e dos voos, incluindo novas restrições na quantidade de líquidos que os passageiros podem levar a bordo dos aviões. A promotoria disse que os suspeitos identificaram sete voos específicos que seriam alvos dos atentados. Todos partiriam do Aeroporto de Heathrow, em Londres, para Nova York, Washington, Chicago, São Francisco, Toronto e Montreal.

Se os conspiradores conseguissem executar o ataque terrorista, cerca de 2 mil pessoas teriam sido mortas. Caso os explosivos fossem detonados enquanto os aviões estivessem sobrevoando cidades dos EUA e do Canadá, outras centenas de pessoas que estavam em terra também poderiam ser mortas.

De acordo com a acusação, os conspiradores planejavam montar as bombas nos banheiros dos aviões, usando explosivos baseados em peróxido de hidrogênio, que estaria disfarçado em garrafas de refrigerantes. “Os explosivos seriam detonados em pleno voo por suicidas”, disse o promotor Peter Wright.