A economia brasileira terá ganhos com a alta dos preços dos produtos básicos (commodities, como alimentos, petróleo e metais) no mundo em 2008, mas não será quem mais lucrará com a crise internacional e a inflação nos preços dos alimentos e de energia. Um levantamento feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e apresentado nesta terça-feira (29) à ONU pelo brasileiro Murilo Portugal, vice-diretor-gerente do Fundo, aponta que a balança comercial do País terá ganhos, mas inferiores a 2,5% do PIB.

A inflação nos alimentos no mundo foi classificada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva como um fator positivo para as exportações nacionais. O Brasil, segundo o FMI, está ao lado da Austrália, Indonésia, Egito, México e Canadá entre os países que teriam "pequenos ganhos" com a alta sem precedentes dos preços dos alimentos e de energia.

Já Venezuela, Bolívia, Angola, Arábia Saudita, Irã e Rússia terão ganhos acima de 2,5% do PIB em suas balanças comerciais em 2008, em grande parte graças à explosão nos preços do barril de petróleo. O FMI ainda aponta que a Argentina e o Paraguai seriam os maiores beneficiados pela alta no setor agrícola. Em apenas seis meses, os preços dos alimentos no mundo subiram em 50%.

Já entre os perdedores estarão, segundo o FMI, Estados Unidos, Espanha, França, Itália, Alemanha, China, Índia, Uruguai, África do Sul e praticamente todo o Leste Europeu. Esses países estariam sofrendo tanto com a importação de alimentos mais caros como de energia a preços jamais vistos. No total, esses países podem sofrer uma perda de 2,5% de seus PIBs em suas balanças comerciais até o final do ano.