O presidente da Bolívia, Evo Morales, celebrou hoje o fato de a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) ter decidido, em votação realizada ontem, declarar o acesso à água e ao saneamento básico como um direito humano básico. A proposta foi apresentada pela Bolívia, cuja Constituição já considera a água um direito humano essencial.

“A água é um direito humano, e não um negócio privado”, declarou o mandatário boliviano. “Uma vez que a comunidade internacional reconhece o serviço de água como um direito humano, ele deve ser administrado por prefeituras e governos, e não por empresas particulares”, completou Morales.

A proposta boliviana foi aprovada pela Assembleia Geral do órgão por 122 votos a favor e nenhum contra. Houve 41 abstenções e 29 países se ausentaram da sessão. O vice-presidente da Bolívia, Alvaro García, comentou que o povo boliviano “deve sentir-se orgulhoso pelo fato de o mundo ter aceitado a proposta” apresentada por La Paz.

De acordo com estimativas da ONU, 884 milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a fontes confiáveis de água potável, e mais de 2,6 bilhões não dispõem de saneamento básico. Estudos também indicam que cerca de 1,5 milhão de crianças menores de cinco anos morrem todos os anos por conta de doenças relacionadas à potabilidade da água e à precariedade dos serviços de saneamento básico.