?… me emociono com aquele andar gravídico dela. Ela acha que não, que ali não está mais a mulher-gata que eu conheci anos atrás, que está gorda e blá-blá-blá aquele papo de muié buxuda, sabe?? (O Diário, Hermen Brederode, 1875.)

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O que elas não entendem é que quando o homem elege uma mulher para ser a mãe de seu filho, a princípio ele pode escolher. E que escolha difícil hoje em dia, hein?

?A moçada tá no cio, são donos da madrugada? cantava Guilherme Arantes … humm… uns vinte anos atrás, lembram? A gente achava que éramos nós, os homens… Hoje em dia, os dois sexos se igualam na busca. Fidelidade é termo que não pode existir nessa mistura de liberalidade e imediatismo.

Escolher, então, a tal ?mãe? passa pelo processo de escolher… uma namorada, certo? Se vocês passaram por um processo de namoro e conhecimento mútuo e depois juntaram os trapinhos, e se mais tarde se encontraram ainda miraculosamente juntos, um filho é conseqüência natural do instinto gregário do Homem. Juntar a si a prole é tarefa divina e ?di vida? (como diriam os cariocas). ?Eles estão criando um bebê, agora, pelo menos há uma coisa que Deus permite?, cantava Tracey Thorn, do grupo-casal Everything But The Girl.

Por isso quando olho pra choquinha meu coração dispara, pela beleza estampada naquela barriga, pela promessa da Vida em seguir seu rumo.

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Temos filhos para que alguém se preocupe em contar nossas histórias. Temos pouco a deixar: memórias de infância, impressas em papel fotográfico, cada vez mais nítidas à medida que se caminha para a maturidade; sabores da cozinha, alguns livros talvez, se pudermos conservar. Velhas fotografias que se amarelam nos álbuns medíocres das décadas passadas e algumas histórias. Só.

E temos a deixar o exemplo do nosso amor. Somos humanos, não procriamos como o gado. Somos racionais, não podemos ter filhos por instinto. Se escolhermos a tal garota, enfim, e virmos tudo dar certinho em frente aos seus olhos, por que não poderemos planejar, preparar, produzir e esperar o melhor de todos os frutos?

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Ser ?pais? é curtir o cheirinho de manteiga do bebê em seu colo, não ligar de trocar fralda, falar com eles (e ser entendido e replicado) antes mesmo do advento da fala. Ser ?pais? é fazer isso junto com a tua gata, curtindo cada momento, porque são poucos (por milhares que sejam) e passam rápido. E não se esqueça: mulher bonita sempre tem alguém pegando. Compareça bem em casa ou perde a namorada.

Ser só ?papai?, ao contrário do que possa parecer, tem suas vantagens. Tipo se sentar no escritório olhando pra ela na sala e pensar ?entulhei a rechonchudinha?, hehe. Tipo não ser seu o peito que vai amamentar na madrugada. Ou não ter sido você a carregar mais de dez quilos no lombo.

É claro que você tem obrigações (além da principal, citada acima), não me perguntem quais. Todas as que você imaginar, tá ligado? Pai não tem feriado, nisso é igual a mamãe.

Que venha o cara! (Aliás, só faço filho homem, antes que me perguntem.)