Os democratas ganharam espaço nas duas Casas do Congresso, chegando perto de uma maioria no Senado que poderia permitir ao partido passar importantes leis. Somada à vitória de Barack Obama na corrida presidencial, o Partido Democrata terá um amplo poder em Washington, o que não ocorre há décadas. As vitórias democratas no Legislativo representam o repúdio final à chamada revolução republicana de 1994, quando o partido hoje no poder cresceu bastante. É a segunda vitória consecutiva dos democratas nas eleições parlamentares. Os resultados representam uma volta à distribuição de poder encontrada em grande parte do século 20, quando os democratas, no controle do Congresso, lançaram propostas em temas como seguridade social e a legislação sobre direitos civis.

Os líderes democratas têm entre seus planos dar mais poder ao governo para guiar a economia e fortalecer a habilidade dos sindicatos para se organizar nos locais de trabalho. Eles também planejam ampliar a cobertura do sistema de saúde e apóiam uma lei para diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa. O senador Charles Schumer, líder de estratégia dos democratas que concorriam ao Senado, apontou que esta é uma eleição crucial, na qual “as pessoas não só definem a mudança, mas definem uma nova relação com o governo”. Para ele, o povo americano quer o governo “mais ativo, mais envolvido” na economia e em suas vidas. “Pela primeira vez em algum tempo, as pessoas sentem que precisam de ajuda.”

As projeções mostravam os democratas ganhando cadeiras que eram dos republicanos no Senado em Novo México, Carolina do Norte, Virgínia e Colorado. O partido também poderia tomar a cadeira de um senador republicano em New Hampshire. Nas outras disputas, o quadro era mais acirrado. Os democratas devem chegar perto das 60 cadeiras necessárias para impedir manobras obstrucionistas da oposição no Senado. Com quatro disputas apertadas ainda não decididas, os democratas já tinham garantidas 56 cadeiras na manhã de hoje. Os democratas apostam no apoio de republicanos moderados para construir uma maioria de 60 senadores, deixando de lado os conservadores e podendo legislar sobre temas como cortes de impostos e o sistema de saúde.

Todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço do Senado estavam em jogo ontem. Os democratas já controlavam a Câmara com 235 membros, ante 199 dos republicanos. As projeções indicavam que o partido ganharia pelo menos mais dez cadeiras, e talvez mais que isso. No Senado, os democratas já controlavam por 51 a 49, contando com dois independentes que costumam votar com a sigla – os senadores Joseph Lieberman, de Connecticut, e Bernie Sanders, de Vermont.

Mesmo antes do início da votação, o senador republicano por Nevada John Ensign disse que seria “uma boa noite” caso o partido só perdesse três ou quatro postos. Havia 35 cadeiras do Senado em disputa, 23 delas em poder dos republicanos. Entre os 12 assentos democratas, apenas a senadora Mary Landrieu, de Louisiana, tinha alguma chance de perder, mas as projeções indicam que ela também deve manter o posto. As informações são da Dow Jones.