Um homem mascarado entrou ontem em um centro de atendimento a jovens homossexuais de Tel Aviv e começou a disparar em todas as direções com uma pistola, segundo o porta-voz da polícia local, Micky Rosenfeld. Duas pessoas morreram, um homem de 26 anos que trabalhava como orientador psicológico no centro e uma menina de 17 anos. Onze pessoas ficaram feridas, quatro delas gravemente. Em seguida, o mascarado guardou a arma e fugiu a pé. Centenas de policiais patrulham as ruas de Tel Aviv em busca do atirador.

“Eu me escondi com alguém embaixo de uma mesa e ele continuou atirando”, disse um adolescente de 16 anos, que levou dois tiros nas pernas, em uma entrevista transmitida pelo site de notícias Ynet. “Quando eu levantei foi horrível, vi apenas sangue”, acrescentou.

O congressista israelense Nitzan Horowitz, homossexual assumido, disse que o ataque foi um crime baseado no preconceito. “Este é o pior ataque já ocorrido contra a comunidade gay de Israel”. Ele acrescentou que “o ato foi um ataque cego a jovens inocentes e eu espero que as autoridades utilizem todos os meios para capturar o atirador”.

Segundo Mike Hamel, ativista do movimento gay que dirige o centro de atendimento, o local servia como um ponto de encontro e prestava assistência psicológica para adolescentes homossexuais. Ele culpou o estímulo de religiosos ao ódio contra os homossexuais pelo ataque. “Além da dor, da frustração e da raiva, estamos enfrentando uma situação na qual o incentivo ao ódio cria um ambiente que permite este tipo de acontecimento”, afirmou.

Os homossexuais israelenses desfrutam de uma liberdade similar a dos homossexuais de países europeus. Soldados gays são abertamente aceitos no serviço militar e artistas declaradamente homossexuais estão entre os mais populares do país. No entanto, líderes judeus ultraortodoxos geralmente incentivam o repúdio ao homossexualismo, especialmente em Jerusalém, onde houve confrontos entre ativistas religiosos e gays.