O atirador que matou dez pessoas na noite de quarta-feira, 19, em Hanau, subúrbio de Frankfurt, na Alemanha, foi identificado como Tobias Rathjen, de 43 anos. Após o atentado, ele matou sua mãe – a décima vítima – e se suicidou. Em sua casa, a polícia encontrou um manifesto de 24 páginas que pede o “extermínio de raças inferiores” e um vídeo que mistura insultos extremistas, frases de Adolf Hitler e teorias da conspiração.

Segundo Rathjen, pessoas originárias dos seguintes países deveriam ser completamente exterminadas: Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Israel, Síria, Jordânia, Líbano, todos da Península Arábica, Turquia, Iraque, Irã, Casaquistão, Turcomenistão, Usbequistão, Índia, Paquistão, Afeganistão, Bangladesh, Vietnã, Laos, Camboja e Filipinas. Pelo menos cinco vítimas eram turcas.

Segundo Peter Neumann, pesquisador do Centro Internacional de Estudos da Radicalização, teorias paranoicas da conspiração têm sido cada vez mais comuns entre os extremistas de direita. No vídeo, falado em inglês, Rathjen alerta os americanos que eles estão sob o controle de “sociedades secretas invisíveis” e fala sobre “bases militares” onde “eles abusam, torturam e matam criancinhas”.

O procurador-geral alemão, Peter Frank, descreveu a retórica de Rathjen como “um conjunto de ideias confusas e teorias da conspiração mirabolantes”. Segundo Rita Katz, do Site Intelligence Group, que monitora atividades online de organizações supremacistas, o manifesto foi atualizado no dia 22 e não dá nenhuma indicação dos ataques.

Nesta quinta-feira, 20, a chanceler alemã, Angela Merkel, condenou o extremismo. “Existem muitas evidências de que o autor agiu por motivos racistas e xenófobos. Por ódio contra pessoas de outras origens, outras crenças ou outras aparências. O racismo é um veneno, o ódio é um veneno”, afirmou a chanceler.