Ameaças na internet contra um juiz que ajudou a suspender o decreto anti-imigração do presidente americano Donald Trump levantaram preocupações sobre a segurança de juristas nos Estados Unidos. Especialistas avaliam que tuítes de Trump atacando o judiciário pode tornar os juízes alvos mais atrativos.

Na semana passada, o juiz distrital James Robart emitiu uma ordem de restrição temporária e suspendeu a ordem de Trump. Em seguida, o presidente publicou mensagens no Twitter dizendo que a opinião do “suposto juiz” era “ridícula e será revertida”.

O juiz, então, passou a ser atacado em mídias sociais. Um internauta chamou Robart de ‘homem morto’ e outro disse que ele deveria ser preso no centro de detenção militar da Baía de Guantánamo, “onde outros inimigos dos EUA são mantidos”.

“Há temores no judiciário com o que está sendo dito”, relatou o ex-delegado federal John Mufler, que é professor de segurança na Universidade Judicial Nacional, no Estado de Nevada.

Os comentários do presidente têm consequências, afirmou, pois “pessoas em cima do muro podem tomar partido quando a retórica começa a ser reproduzida”.

Na quarta-feira, Trump criticou duramente o sistema federal de Justiça, após uma corte de apelações considerar válidos os argumentos do juiz Robart para suspender o decreto. Trump afirmou que “as cortes estão se revelando muito politizadas” e considerou a audiência uma “desgraça”.

No dia seguinte, o porta-voz da Casa Branca Sean Spider afirmou que o presidente norte-americano “não tinha arrependimentos” sobre as críticas aos juízes. Fonte: Associated Press.