Cerca de 1,3 mil pessoas morrem por dia na América Latina vítimas de armas de fogo leves, tornando urgente a aprovação de “uma convenção específica para controlar a venda e eventual tráfico ilegal dessas armas na região”, alertou Francisco Rojas, secretário-geral da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.
O especialista advertiu que há cerca de 500 milhões de armas leves em circulação no mundo, o que aumenta ainda mais o risco de que sejam usadas por grupos ligados a seqüestros ou ao narcotráfico na América Latina. Rojas observou que o continente já dispõe de uma convenção sobre armas leves, mas assinalou que “agora se torna necessária a colaboração de atores de fora da região, de países que mantêm legislações permissivas e onde atuam os grandes produtores de armamentos”.
“A Convenção interamericana contra a fabricação e tráfico ilícito de armas de fogo, munições e explosivos foi aprovada pela OEA em 1997, está em vigor desde 1998 e foi criada uma instância específica para garantir seu cumprimento, mas requer a colaboração de atores de fora da região”, sustentou.
O secretário citou o caso dos Estados Unidos, que embora fazendo parte da OEA, “não criou barreiras suficientes para evitar a proliferação de armas enviadas à América Latina, caindo nas mãos de organizações ilegais e grupos vinculados a atos ilícitos internacionais e locais”.
Rojas acrescentou que os produtores europeus de armas leves também não dispõem de controles eficazes sobre as vendas desses armamentos, “que chegam à nossa região em particular onde há focos de conflito, como no caso da Colômbia”. Segundo ele, a América Latina deveria promover, por intermédio da ONU, um código global de conduta sobre armas leves.
“O acordo daria mais transparência e informação sobre as atividades dos principais produtores e sobre os países compradores de armas leves, para que se conheça o destino final (dessas armas)”, afirmou