O chefe de inteligência da Arábia Saudita, o príncipe Bandar Bin Sultan al-Saud, disse a diplomatas europeus que ele planeja reduzir gradualmente a cooperação com os EUA no programa de armar e treinar rebeldes sírios. A medida é uma resposta à política de Washington na região, disseram participantes do encontro.

Segundo diplomatas, o príncipe Bandar convidou representantes ocidentais para um encontro na cidade de Jeddah, que fica às margens do Mar Vermelho, no fim de semana para expressar a frustração do governo de Riad com a administração do presidente Barack Obama e com suas políticas na região. Entre as divergências ressaltadas estava a decisão norte-americana de não bombardear a Síria em resposta ao uso de armas químicas em agosto.

O príncipe Bandar está liderando os esforços do pais para financiar, treinar e armar rebeldes que estão lutando contra as forças do regime do presidente sírio, Bashar Assad.

As tensões entre os EUA e a Arábia Saudita têm crescido nos últimos meses. O presidente Barack Obama autorizou a CIA a fornecer quantidades limitadas de armas para rebeldes sírios de maneira cuidadosamente controlada, mas levou meses para que o programa começasse.

A deposição do ex-presidente do Egito Mohammed Morsi também é um ponto de divergência. Em julho, os sauditas apoiaram a deposição de Morsi, contrariando a posição dos EUA. Mais recentemente, a Arábia Saudita também se irritou com a aproximação dos EUA com o novo presidente do Irã.

Contudo, nesta terça-feira, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que os dois países continuam a trabalhar juntos de maneira próxima em vários temas regionais, políticos e de segurança. Segundo ele, entre os temas abordados em conjunto, ainda está a Síria.

Falando após uma reunião de ministros de Relações Exteriores dos 11 países que apoiam uma transição democrática na Síria e representantes de grupos de oposição da Síria, Kerry disse que manteve discussões construtivas com o ministro de Relações Exteriores saudita, Saud al Faisal. Os dois se encontraram em Paris na segunda-feira.

“Sabemos que os sauditas ficaram obviamente desapontado que a ataque [à Síria] não ocorreu e que tinham dúvidas sobre algumas das outras coisas que podem estar acontecendo na região”, disse Kerry.

“O presidente me pediu para vir e ter as conversas que tivemos. Acho que elas foram muito, muito construtivas e estou convencido de que estamos na mesma página conforme avançamos. E estou ansioso para trabalhar de maneira bastante próxima com nossos amigos e aliados sauditas”, disse ele. Fonte: Dow Jones Newswires.